RuPaul’s Drag Race | 9×05 – Reality Stars: The Musical

RuPaul’s Drag Race sempre teve um objetivo maior, pelo menos ao meu ver, do que apenas só apresentar drag queens numa corrida louca contra o tempo para se mostrarem versáteis e multitalentosas, a ponto de ganharem uma coroa no final da jornada. No episódio desta semana mais uma vez isso se prova.

Na review do programa passado reclamei bastante sobre a falta de humanização das queens, onde pouco do drama da vida pessoal de cada uma delas fazia falta para a história de todo o reality show, e que precisávamos ver um pouco além do que era só mostrado. Pois bem, não houve uma melhora absurda nesse quesito, porém duas pessoas entre o episódio e o Untucked foram destaque: Eureka e Nina.

Comecemos por Eureka, que durante todo o episódio mostrou que lá no desafio das líderes de torcida havia machucado o joelho, e esse vinha sendo seu problema desde então. E é aí que temos um problema da vida real que faltava bastante no programa. Como continuar a viver o seu sonho quando algo que não é sua culpa te impede de prosseguir? Acredite, eu me identifiquei muito com a queen com todo esse drama de que algo a atrapalhava no meio do caminho. Nada durante todo esse desafio musical indicava que a própria RuPaul a “eliminaria” do programa, pois ela precisava ter um tempo para se curar.

O twist do final, depois do lipsync de Cynthia contra Farrah, onde RuPaul dá as “más” notícias para Eureka, trouxe o inesperado mais uma vez para o programa que tanto faltava. Bem, não foi algo que gostaríamos, pois a despedida de Eureka em meio a todo esse processo foi bem triste, mas a dona e proprietária do reality já deixou um convite aberto para a queen eliminada numa próxima temporada. Como acontece as vezes na vida, ela não teve que desistir do seu sonho, mas ele foi um pouco atrasado, e pode ser que sua melhor chance de crescer e se tornar mais forte no reality seja numa próxima temporada.

Outro momento bem legal de Eureka durante o episódio foi quando ela se desculpou por ter feito uma brincadeira, muito da sem graça, sobre distúrbio alimentar, no qual Valentina e Sasha foram as mais afetadas por tal comentário. E como já disse e baterei mais uma vez nessa tecla, a humanização das drags é algo de mais precioso no programa, principalmente para quem sofre dos mesmos problemas e quer saber como superá-los e não se sentir sozinho na sua luta.

Agora sobre Nina. Assistindo a esses episódios, a edição me passou que a drag era apenas uma garota chata, mimada e chorona, pois o drama da mesma de não ter ido bem no desafio por motivos de não pegar o personagem que queria, me fez parecer bem patético. Então, conversando com algumas amigas sobre isso, dá para notar que o problema todo do drama da queen é a edição porca que é feita e que não passa aquilo que realmente é.

Nina é uma pessoa com extrema falta de confiança devido a tudo que passou em sua vida e, principalmente, em sua carreira de drag queen, sempre sendo atacada onde se apresentava pelas próprias companheiras de trabalho. E isso a faz achar que está sendo perseguida até dentro do programa. E claro, a culpa para que Nina se sinta assim não é dela e nem das drags que estão ali. Depois deste episódio, e também desta conversa, preciso olhar com olhos diferentes para essa drag queen que é tão incrível e tentar não me deixar influenciar pela edição que é feita dela. Remember Phi Phi O’Hara no All Stars 2.

Com esses dramas pessoais à parte, o programa deu uma leve melhorada no quesito desafios para este episódio. Até agora vem sendo apresentada uma temporada com desafios fracos e queens pouco carismáticas, e nada se torna interessante. Mas o desafio musical, que quase sempre são as melhores partes de toda uma temporada, mudou um pouco isso.

Depois de ter ganhado o mini challenge (MEU MINI CHALLENGE TA VIVOOOOO), Alexis foi incumbida de distribuir os papéis para as colegas, que teriam de fazer um musical dublado intitulado “Kardashians: The Musical”. A líder escolheu para si Kris Jenner, enquanto Cynthia, Nina, Aja, Farrah e Valentina ficaram com Kim Kardashian, Khloe Kardashian, Kourtney Kardashian, Kylie Jenner e Kendall Jenner, respectivamente. Blac Chyna foi representada pela Shea. Eureka interpretou uma North West do futuro. Já os papéis adicionais de Britney Spears, Lindsay Lohan e Paris Hilton ficaram com Peppermint, Sasha e Trinity, respectivamente.

O musical foi muito bom e engraçado, na medida do possível. Alexis de mãe controladora e empresária foi incrível em diversos momentos necessários. Peppermint fez uma Britney muito fiel à original, com todos os trejeitos e jogadas de cabelo permitidas. E Shea e sua Blac Chyna possuída foram também incríveis. Já Cynthia não sabia dublar uma sílaba das partes na qual fazia e Farrah não acertava um passo de dança que precisava, e claro que essas duas iriam para o bottom sem nem se esforçar.

O tema da runway desta semana foi “Pele Falsa Fabulosa” e nada de mais aconteceu novamente. Não merece nem ser comentado esse bando de roupa de “ok” para ruim. Vamos combinar que esta temporada está fraquíssima quando o assunto é o desfile na passarela. Nenhum até agora foi memorável e que merece ser lembrado durante décadas, como o look de safari da BeBe lá na primeira temporada, o pássaro de Courtney Act ou Sharon na sua roupa pós-apocalíptica.

Shea merecidamente venceu o desafio, mas ouso dizer que se Alexis não estivesse com um look tão meh em sua runway, a bonita teria vencido. Mas é claro que Alexis usou a desculpa de estar feia para as colegas de programa, que não avisaram que aquilo que vestia era ridículo. ATA.

Como já citado acima, depois do lipsync entre Farrah e Cynthia (mais uma vez a drag latina não sabia a letra da música de Meghan Trainor, a jurada que só serviu de objeto cênico), Eureka foi eliminada, porém convidada diretamente para voltar na próxima temporada.

Finalmente a melhora veio no desafio e semana que vem teremos o tão aguardado Snatch Game, que sempre é um dos melhores desafios da temporada. Até lá.