Crítica | Corpo Elétrico

Corpo Elétrico é o primeiro longa do diretor Marcelo Caetano. O filme já roda festivais internacionais desde o início do ano e arrancou elogios e boas críticas de muitos que assistiram. Sem nenhuma cerimônia, ou plano de ambientação, o filme começa com um primeiro plano e um diálogo cativante entre o protagonista e um pé, e desde ali já mostra o tipo de narrativa que podemos esperar dele.

Elias (Kelner Macêdo) é um jovem paraibano de 23 anos que mora em São Paulo e trabalha em uma fábrica têxtil. De forma leve e lenta, o filme nos mostra um pouco da rotina do protagonista e sua ligação com todos que participam dela. Mesmo as relações mais complexas, como a de Elias com seu colega de trabalho Wellington (Lucas Andrade), não chegam em situações extremas e o roteiro está mais preocupado em mostrar a confusão e os sentimentos de Elias do que em usar clichês chamativos.

Com o final do ano se aproximando, o trabalho na fábrica fica mais intenso e os colegas decidem fazer um happy hour, cena esta que dá origem a um plano sequência genial em que a grande maioria do elenco é apresentada. Depois disso, Elias e Wellington se aproximam e aprendem sobre o o universo um do outro. Esse é o estopim para o longa nos mostrar a linha tênue da relação de trabalho entre gay e hétero, a relação indefinida de Elias com um cara mais velho e a maravilhosa família drag de Wellington.

Com um tom subjetivo, o roteiro deixa o espectador aberto para algumas interpretações, mas não contém nenhum grande furo ou decisão suspeita relevante o suficiente para te tirar do filme de alguma forma ou fazer algo deixar de ser crível. Em um momento em específico, um desfecho omitido de um dos encontros de Elias instiga certa curiosidade, mas, logo em seguida, o fato é descrito pelo próprio personagem de uma forma tão detalhada e cheia de sentimento que torna qualquer outro recurso narrativo dispensável.

Apesar de não conhecer previamente o trabalho de Kelner Macêdo, a capacidade de interpretação do ator e a maneira pela qual ele consegue desenvolver o personagem a partir de cada novo encontro, cada novo mundo, deixa uma ótima impressão. Kelner tem o poder de mostrar o que sente através dos olhos e pelo sorriso, e emprestou isso para o personagem. Despertou grande expectativa com o que pode vir a seguir em sua carreira.

O filme é cheio de grandes destaques, mas é válido enfatizar a participação da Mc Linn da Quebrada. Além de uma ótima atuação, ela foi responsável por uma cena icônica em que canta sua música “Talento“. Vale ressaltar também que, na hora da criação, o diretor Marcelo Caetano se inspirou no poema Eu Canto o Corpo Elétrico, de Walt Whitman. O poema, que fala sobre liberdade e diversidade de corpos, está presente em toda a jornada do protagonista.

Confira nossa entrevista com Kelner Macêdo e Marcelo Caetano

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