Supergirl | 3×18 – Shelter from the Storm

Shelter from the Storm foi a conclusão do “mini-arco” centrado em proteger a filha da Sam da raiva de sua contraparte poderosa. Tanto para o bem quanto para o mal, o episódio seguiu com tudo o que vimos na semana anterior, o que significa que foi bom, mas que teve os mesmos problemas em seu desenvolvimento.

A falta de confiança em Lena por parte da Garota de Aço é completamente sem sentido e toda a sua explicação do motivo pelo qual kryptonita deve ser algo completamente proibido não fez sentido. É verdade que a Lena não pode se identificar com o que ela sente quando entra em contato com a substância, mas a Kara também não entende uma infinidade de sensações negativas que afetam humanos normais. A personagem principal parecia mais uma criança mimada que ficou brava porque as coisas não aconteceram da forma que ela queria, e como os roteiristas vão seguir com isso é vital para o desenvolvimento da personagem.

Agora que ela sabe o que a Lena realmente pensa dela e descobriu que o Jimmy mentiu, a forma como ela vai reagir a tudo isso é um terreno difícil. Ou ela entende o erro e muda a forma de agir, ou ela se afunda ainda mais e torna a situação ainda pior. Se a primeira possibilidade não se concretizar, então todo o tempo gasto com isso vai ter muito mais cara de descaracterização de personagem do que de um momento de aprendizagem e crescimento.

Indo na direção oposta e mostrando atitudes interessantes está Imra. A legionária até pode ter sofrido com a forma como seus poderes são escritos, mas sua personalidade foi explorada o bastante para fazer dela mais do que uma figurante de luxo na temporada. A forma como lida com os sentimentos do Mon-El e com toda a situação foi realmente surpreendente, especialmente porque no começo tudo indicava que teríamos o Mon-El como motivo de briga entre as duas heroínas. Pelo menos nesse clichê os roteiristas não caíram. Talvez ela volte para alguma batalha final ou, quem sabe, numa temporada futura explorando viagem no tempo, mas por enquanto tanto ela quanto Brainiac 5 cumpriram bem seus papéis.

Mas já que foi citado um clichê que o roteiro evitou, hora de falar de um que os roteiristas abraçaram com toda a força: tudo deu errado porque a “criança” da história é burra. Qualquer série que não é de comédia e que envolve uma personagem infantil corre o risco de cair nisso: normalmente as personagens mais jovens são usadas como ferramentas do enredo. Já que eles são “inocentes” e não sabem o que é realmente melhor para si, ou o que está acontecendo, acabam fazendo algo que prejudica todo mundo. Ou então eles nem fazem nada de errado, mas são as possíveis vítimas/iscas do vilão. A Ruby, no caso, entra nessas duas situações. A personagem parecia interessante e mais complexa em momentos anteriores da série, pena que ela perdeu toda e qualquer relevância ou característica individual nos eventos mais recentes.

Enquanto isso, em uma situação bem diferente, se encontra M’yrnn. O pai do J’onn parecia estar com seus dias contados. Tudo indicava que agora que a sua mente já não funciona tão bem o personagem seria esquecido por um tempo, mas felizmente não foi assim. Apesar da forma extremamente rápida como o seu problema se desenvolveu, a série parece estar empenhada em mostrar como é lidar com alguém que passa por esse tipo de problema. Honestamente, enquanto o personagem puder ser útil eu espero que ele continue aparecendo.

Shelter from the Storm encerrou de modo simples uma história desnecessária dentro do enredo principal. Afinal, se falar para a worldkiller que a Ruby era inocente é o bastante para que ela não mate a menina, então ela nunca deveria ter tentado isso. Mas pelo menos agora a série está pronta para entrar na reta final e finalmente entregar a grande batalha entre Reign e Supergirl.