Supergirl | 3×23 – Battles Lost and Won

O terceiro ano de Supergirl foi, em diversos aspectos, o melhor de todos. Conseguiu trabalhar bem todo o elenco, incluiu personagens novos interessantes – alguns sendo bem explorados ao longo do ano, trouxe de volta personagens que faziam falta e até ressuscitou uma parte de Krypton. É muita coisa boa de uma vez só. Pena que nem tudo foi bom e, no melhor de seus anos na televisão, Supergirl apresentou, pela primeira vez, problemas de consistência significativos e um season finale um tanto quanto decepcionante.

Talvez o mais épico de todos os episódios da história desta série tenha sido a batalha entre Supergirl e Reign, que ocorreu no meio da temporada e mostrou a mais absoluta derrota já sofrida pela Garota de Aço. Esse momento tão incrível gerou dois efeitos muito diferentes: a surpresa pela qualidade e a necessidade de se criar algo ainda maior para encerrar um arco tão grandioso. Este segundo efeito foi o principal responsável pela visível queda de qualidade da série em alguns dos episódios mais recentes e também é culpado pela confusão que foi este season finale.

Não é possível afirmar que Battles Lost and Won foi um episódio ruim, mas também é difícil encontrar motivos para afirmar que foi algo além de simplesmente “bom”. Ao chegar ao final do episódio, a primeira coisa que vem à mente é o fato de que este season finale deveria ter sido um evento de duas horas. A quantidade de informações e eventos que foram condensados em 40 minutos é absurda. Os roteiristas quiseram fazer 20 coisas diferentes para dar a impressão de grandiosidade e fazer com que este evento fosse maior do que a batalha que eles escreveram no meio da temporada. Mas além de não conseguirem o resultado esperado, ainda prejudicaram o final da história.

Viagem no tempo tão fácil e rápida quanto ir ao mercado? Aconteceu. Várias cenas de salvamento para deixar claro que a cidade estava caindo? Teve. Aliados vindos do futuro aparecendo no momento exato para impedir um tsunami sem nenhum esforço? Teve também. Foi muita coisa, diversas cenas grandiosas e reviravoltas inesperadas, tanto que chegou a um ponto em que ficou difícil de acompanhar tudo o que estava acontecendo. Alguns desses eventos separados teriam sido interessantes. Outros, como a viagem no tempo por uma fenda no espaço convenientemente próxima, realmente não deveriam ter sido apresentados.

Além dos excessos houve também problemas na execução do “básico”: o que deveria ser a batalha final entre Supergirl e Reign foi uma decepção sem tamanho. Um combate fraco, com efeitos horríveis e vitória fácil. O único momento positivo foi a morte de Reign antes da viagem no tempo. Apesar dos efeitos da visão de calor terem sido porcos, a interpretação da cena foi muito bem feita. Os gritos guturais de Reign e sua expressão que misturava ódio e desespero foi um momento muito impactante. Da mesma forma, a expressão da Kara vendo todos ao seu redor serem mortos foi algo difícil de esquecer. Melissa Benoist e Odette Annable realmente surpreenderam nesse final.

Mas apesar do excesso de eventos e do exagero em vários deles, houve também momentos realmente bons, dignos de um final de temporada. Todos esses momentos envolvem alguma conversa emocionante: J’onn e M’yrnn; J’onn e Alex; Mon-El e Kara; Mon-El e Imra; Brainiac e Winn; Sam e sua mãe. Cada um desses momentos foi especial por um motivo e eles foram de longe a melhor parte de todo o roteiro. Chega a ser irônico: um episódio que foi feito para ser grandioso e cheio de combates teve nos diálogos emocionantes o seu ponto forte. M’yrnn deixará saudades, o pai do Caçador de Marte foi com certeza um destaque muito positivo desta terceira temporada.

E como fica a próxima temporada? Este episódio preparou o cenário para uma mudança de status quo maior do que qualquer coisa que a série já tenha feito, e muitas dessas mudanças são extremamente promissoras. Mandar Mon-El e Winn para o futuro para enfrentar Brainiac deixa um gosto margo na boca, uma vez que ambos personagens farão falta, mas por outro lado abre uma possibilidade: será que realmente vamos ver a Kara indo para o futuro para lutar ao lado da Legião dos Super-Heróis? J’onn saindo da liderança do DEO é preocupante, mas ver a Alex assumindo a posição promete bastante. Além do fato de que é muito difícil que J’onn não volte logo ou pelo menos apareça com regularidade. Aquela simples conversa de telefone da Lena foi o bastante para indicar que a personagem volta e será relevante na próxima temporada, e isso é muito bom. Infelizmente não posso falar a mesma coisa da cena final do Jimmy. Ninguém precisa de um arco mostrando como ele vai lidar com o fato de que sua identidade não é mais um segredo.

E, além de tudo isso, o que vai acontecer com essa nova Supergirl que apareceu na parte asiática da Rússia? Esse é provavelmente o cliffhanger que dará origem ao arco principal da primeira metade da temporada e é impossível não ficar curioso para o que vai acontecer depois.

Battles Lost and Won não foi um episódio ruim, mas mostrou o que acontece quando resolvem colocar muita coisa no roteiro: confusão. Com eventos desnecessários e muita coisa sem sentido, o episódio é um bom exemplo do que deu errado nos momentos finais da temporada, mas não representa a qualidade da maior parte do terceiro ano da série. Porém, se não serviu como conclusão satisfatória, pelo menos conseguiu apresentar possibilidades incríveis para a próxima temporada. Supergirl encerra seu melhor ano com o pior de seus três season finales e vai precisar de um começo forte no próximo semestre para mostrar que aprendeu com os erros cometidos.