Crítica | Aliados

Robert Zemeckis tem no currículo nada menos do que uma das trilogias mais amadas do cinema: De Volta Para o Futuro. É dele também o filme que rendeu o segundo Oscar de Melhor Ator para Tom Hanks: Forrest Gump, clássico dos anos 1990. Mas recentemente assinou obras como Os Fantasmas de Scrooge e A Travessia, e agora comanda Aliados, drama de guerra estrelado por Brad Pitt e Marion Cotillard, indicado ao Oscar 2017 por Melhor Figurino.

Aliados é um drama que se passa no período final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), começando sua história em Casablanca, no Marrocos. Além de ser impossível não recordar do clássico Casablanca de 1942, o início do filme faz algumas referências, como cenas nos luxuosos clubes da cidade marcada pelo clima de guerra que envolvia a região. É nesse cenário que Max Vatan (Pitt), um agente britânico, se encontra com Marianne Beauséjour (Cotillard), uma agente do exército francês, e se passam por um casal, num plano para eliminar um líder nazista.

O filme tem um primeiro ato muito bem desenvolvido, trabalhando no envolvimento entre Max e Marianne, que com a convivência passam a ter uma relação que vai além da profissional, culminando em uma boa sequência de ação que faz pensar: “Brad Pitt ainda não cansou de matar nazistas” (quem viu Bastardos Inglórios sabe do que estou falando). Brad Pitt e Marion Cottilard têm uma boa sintonia em cena, o que favorece muito o ritmo do filme até seu segundo ato, em Londres.

O problema de Aliados é exagerar no melodrama após um início de tensão, o que faz o longa-metragem perder um pouco de ritmo na metade e oscilar até o final. A partir da reviravolta que ocorre neste ponto (que o trailer do filme muito infelizmente revela ao público e eu não farei isso aqui), o filme que equilibrava bem o espaço em tela entre Pitt e Cottilard passa a focar apenas em Max Vatan e sua corrida para descobrir a verdade sobre sua família, o que não é um problema.

Dos indicados ao Oscar, Aliados mereceu a indicação que teve. O retrato dos anos 1940 em Londres é muito bem feito, entretanto seu roteiro não tem a força de outros concorrentes, fazendo dessa uma experiência cinematográfica divertida, mas não marcante. A própria dupla protagonista já atuou em papéis mais difíceis e que lhes renderam indicações recentemente, e aqui parece mais um entretenimento do que qualquer coisa além disso. Vale a ida no cinema para os amantes de filmes de guerra, porém esse é um longa voltado para o drama e não para a ação.