Crítica | Esta é a Sua Morte – O Show

Esta é a Sua Morte – O Show é o segundo longa de Giancarlo Esposito, o Gus de Breaking Bad, como diretor e é uma crítica ferrenha ao tipo de entretenimento que é consumido nos dias de hoje. Josh Duhamel interpreta Adam Rogers, um apresentador de televisão que comanda um reality show semelhante ao The Bachelor, favorito da audiência americana. O filme começa com a cena do último episódio da temporada deste programa, quando uma das concorrentes ao amor do solteirão surta e tudo acaba em tragédia.

Após este fatídico final de temporada, o programa fica em maus lençóis com o público e a equipe realiza uma reunião para decidir como agir. É aí que entram as produtoras Ilana Katz (Famke Janssen) e Sylvia (Caitlin FitzGerald). Sylvia, que é premiada e reconhecida no mundo do entretenimento, foi contratada para apartar a crise, enquanto Ilana faz tudo pela audiência e tem a ideia de criar um programa sensacionalista chamado “Esta é a Sua Morte”. Famke Janssen, sem muitas surpresas, interpreta Ilana perfeitamente, e é possível entender as intenções da personagem através das expressões da atriz. Já Caitlin, que atua profissionalmente há menos de dez anos, quase não convence e o que salva é a empatia passada pela única personagem sensata da história.

O programa proposto por Ilana consiste em colocar pessoas em situação de vulnerabilidade para se suicidarem ao vivo em frente às câmeras, isso tudo com a apresentação de Adam Rogers, que recebe o título de herói americano após os fatos do início do filme. As pessoas que se propusessem a estar naquela situação, estariam garantindo um dinheiro extra para os entes queridos que fossem deixar para trás através de doações dos telespectadores, e é aí que o filme se perde. Não fica claro se a proposta do longa é mostrar uma distopia baseada no exagero de tudo que se consome atualmente e, se foi esta a intenção, ele ensaia muito, mas não vai ao fundo suficientemente para comprarmos a ideia. Parece um capítulo de Black Mirror que deu errado.

Além de dirigir, Giancarlo Esposito é um dos coadjuvantes e dá vida ao humilde Mason Washington, um pai de família que está passando por um período financeiro difícil. Mason tem vários empregos para conseguir pagar as contas de casa, e um deles é na emissora do “Esta é a Sua Morte”, que se revela um sucesso de audiência. É difícil comprar o personagem de Giancarlo também, pois desde o início já dá para prever onde a história vai levá-lo. O drama parece forçado e, infelizmente, a interpretação do ator não convence.

Conhecemos o potencial de atuação de Esposito, que deu vida ao sinistro Gus Fring (Breaking Bad) e ao fiel pastor Ramon (The Get Down), mas neste trabalho ele não briga tanto. Pode ser a pressão do segundo filme, junto com a de ter que trabalhar com um orçamento limitado, coisa que também fica aparente em muitos momentos, com exceção das cenas de suicídio em que foram investidos muitos efeitos para criarem mortes estapafúrdias no maior estilo Premonição ou Jogos Mortais.

A menção honrosa de Esta é a Sua Morte – O Show fica por conta de Josh Duhamel. A escolha do ator não poderia ter sido mais perfeita, já que Josh é fisicamente parecido com a grande maioria dos apresentadores de televisão dos EUA. Adam Rogers tem um desenvolvimento muito interessante, seus valores vão sucumbindo aos poucos por conta de sua busca desenfreada pelo sucesso, além de ter uma relação complexa com a sua irmã Karina (Sarah Wayne Callies), uma enfermeira que tem um passado marcado pelo vício em analgésicos. Excelente trabalho e ele entrega toda a tensão e drama que são demandados na trajetória do protagonista de uma forma genial.

Se ignorados alguns defeitos técnicos, Esta é a Sua Morte – O Show acaba entretendo com seu suspense/drama/terror. O filme trabalha com muitos gatilhos para o suicídio e, apesar da intenção ser despertar o oposto disso no espectador, muitas ideias de autoflagelamentos são usadas de forma bastante perturbadoras, o que pode não ser legal para algumas pessoas.