Mãe! | Darren Aronofsky fala sobre seu novo filme em coletiva realizada em São Paulo

Darren Aronofsky é a mão por trás de filmes como Cisne Negro, O Lutador, Réquiem para um Sonho e muitos outros sucessos de público e crítica. O diretor esteve em São Paulo na última terça-feira (19) para divulgar seu novo longa, Mãe!, o qual ele descreve como ser o seu trabalho mais pessoal por ter escrito e dirigido. Além disso, Aronofsky, que já havia se mostrado ansioso em seu Twitter para visitar a capital paulista, se divertiu na cidade: visitou o Beco do Batman e encontrou com a imagem de Iemanjá em um mercado.

Apesar da cara de mau, o diretor chegou na coletiva esbanjando sorrisos e gostou de todas as perguntas feitas pelos jornalistas. Ele começou falando um pouco da essência do filme e explicou que é difícil para as pessoas daqui entenderem o que acontece em Nova York, assim como para as pessoas de Nova York entenderem o que acontece no Canadá, mas que todo mundo entende quando um hóspede que não é bem-vindo abusa da sua boa vontade em sua própria casa, pois você se lembrará daquela pessoa para sempre. Segundo Aronofsky, a intenção foi pegar essa ideia e colocar em um funil.

Um dos jornalistas perguntou ao diretor como foi a escolha da atriz Michelle Pfeiffer para o filme, e ele explicou: “Eu ouvi que Michelle estava pensando em voltar a atuar, ela tinha dado uma longa pausa na carreira de atriz, então fiquei interessado imediatamente. Para mim, a personagem da Michelle representa a Eva da bíblia, e quando eu penso na Eva, fico imaginando como seriam todas as camadas da sua personalidade. Acho que Michelle demonstrou isso muito bem“.

Darren comentou um pouco sobre seus personagens nos filmes após ser questionado sobre as histórias, desde Pi (1998), falarem sobre queda e ascensão. “Eu acho que isso é uma questão pessoal de cada diretor. No meu caso, sempre me coloco em todo filme que faço: eu era a bailarina em Cisne Negro, o lutador em O Lutador e etc. É uma parte verdadeira de mim que peguei e alarguei para se tornar o personagem que conta a história“, disse.

Em sua maioria, os trabalhos anteriores de Aronofsky foram feitos numa escala maior de tempo, diferentemente de Mãe!. De acordo com ele, isso é parte da animação que estava em fazer o longa. “Faço cinema há cerca de 20 anos, então queria algo fresco e uma linha de trabalho diferente. Logo, decidi seguir esse caminho de emoção singular e ver onde isso me levaria. Estava muito inspirado em músicos que seguem esse mesmo caminho para compor. O rascunho inicial do roteiro de Mãe! foi escrito em cinco dias“, revelou.

Ao ser questionado sobre ser um cineasta autoral, mas que trabalha com a indústria, Aronosfky explicou que o jeito de se lidar com o estúdio é ter o orçamento certo para o elenco certo. Mãe! foi um orçamento razoável para o que o filme se propunha, e foi barato para o estúdio. Então, acredito que esse equilíbrio é importante. Quando estive fora desse equilíbrio com o filme Noé, a relação com o estúdio ficou mais complexa. Você sempre quer que audiência goste dos seus filmes, mas eu sei que esse em questão é bastante violento, e a realidade é que quando você dá um soco, algumas pessoas vão gostar e outras vão te socar de volta“, ressaltou.

Entre as várias leituras que o filme permite, dá para fazer uma feminista, e Jennifer Lawrence é uma atriz engajada nesse movimento. O diretor afirmou que esse foi um dos motivos pelos quais ela se conectou tão rápido com o papel, pois imaginou ser algo muito diferente para interpretar e também muito importante para as coisas em que ela acredita. “Eu acho que Jennifer gostou bastante dessa ideia de interpretar o espírito de uma casa cheia de presentes, que está sempre dando e nunca recebendo nada em troca“, contou.

Mãe! não é o único filme de 2017 que aborda sobre hóspedes que não são bem-vindos e invasões. O longa de Sofia Coppola, O Estranho que Nós Amamos, e o de Jordan Peele, Corra!, também tratam deste tema. Seria possível que esses cineastas estivessem falando, na verdade, sobre política? De acordo com Aronofsky, isso é pouco provável, pois fazer filme demanda muito tempo. “Eu escrevi esse roteiro em 2015, durante os oito anos do Obama, então eu acho que é uma trágica coincidência a estreia dessas produções serem no primeiro ano do governo Trump. Até porque nenhum de nós acreditava que isso seria possível, muitos de nós ainda não acreditam que isso está acontecendo“, explicou o diretor aos risos e continuou: “A realidade é que mesmo nos anos do Obama as coisas para salvar nosso planeta estavam mudando de uma forma muito lenta. A única coisa boa em relação ao Trump é que agora conseguimos ver claramente onde está o câncer“.

Os personagens em Mãe! não têm nomes, e Darren explicou que as pistas sobre quem é quem estão no filme. De acordo com ele, o motivo da ausência de nome é para que o filme exista posteriormente como uma história de um marido e uma mulher que pode ser de qualquer um e ter varias interpretações. A única pergunta que o diretor disse que vai levar para o túmulo é sobre o líquido amarelo que a personagem de Jennifer Lawrence toma no longa. “Essa é a única pergunta que eu não respondo. Qualquer outra coisa pode perguntar“, finalizou a coletiva aos risos.

Fotos: Divulgação/Agência Febre

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