The Walking Dead | 7×15 – Something They Need

Não está fácil assistir esta temporada de The Walking Dead. Após um primeiro episódio brutal, a série caiu em diversos eventos desnecessários e episódios sofríveis, que derrubaram a audiência e abalaram as estruturas de um show que até então parecia intocável. Entretanto, a série tem um potencial imenso, e quando bem explorando isso gera, senão ótimos, ao menos bons episódios, como o desta semana. O segredo está no que já cansei de apontar aqui: focar em mais de um núcleo por semana. Aqui foram três, o que é raro, pois infelizmente torna a experiência de assistir a um episódio de The Walking Dead muito mais dinâmica e divertida.

Felizmente não tivemos que esperar até a season finale para descobrir o que aconteceu com Sasha. Após seu ataque kamikaze, como bem definiu Negan, ela foi feita prisioneira. Já cansamos de saber que Negan curte quem o confronta sem medo, o que é seu ponto fraco mais interessante, pois ao mesmo tempo que o torna vulnerável a lidar com pessoas que o matariam sem pensar duas vezes, o faz imponente e odiavelmente carismático enquanto vilão. Odiar Negan é uma das boas coisas desta temporada e poderia ter sido melhor explorado. Mas já não adianta falar no que poderia ter sido feito, temos que analisar o que vem por aí. Sasha bem que tentou enganar Negan e Eugene, mas o pseudocientista resolveu demonstrar sua amizade da forma menos útil para o contexto. Era meio óbvio que Sasha não conseguiria o que queria, um arma para matar Negan de surpresa, mas trazer de volta o veneno ao menos mostra que os roteiristas têm algum planejamento para o que colocam em cena, mesmo que não resulte no efeito esperado. O desespero de Sasha ao ver que não conseguirá matar o líder dos Salvadores não criou um clímax que justificasse todo aquele episódio focado no Eugene.

Algo parecido, porém melhor trabalhado, é a trama de Hilltop. Já comentei em reviews passadas que Gregory era muito perigoso por ser um covarde do pior tipo. Maggie sofre do mesmo mal que Glenn em ajudar quem não merece, no caso o líder de Hilltop. Gregory imagina, mas não tem coragem de matar nem um walker, que dirá a própria Maggie. E ser humilhado na frente de seus liderados não é a melhor forma para que ele mude de atitude. Apesar de achar que ele é um risco e ainda vai gerar problemas, sinto que Gregory não passa do próximo episódio, morrendo de forma tosca nas mãos de Negan, que odeia esse tipo de gente, Simon ou até mesmo a própria Maggie, que deve liderar Hilltop muito em breve.

Por fim, Rick foi atrás do pessoal da floresta fazer algo parecido com o que Negan faz, porém sem tanta violência. Tomar as armas das mulheres não foi um grande desafio, assim como era previsível que a vovó ia resistir, mas não ia dar em nada. Faltou ousadia em matar personagens numa situação tensa. O melhor seria se Michonne atirasse na pessoa errada. Os walkers já não metem medo faz tempo, como já comentei, e a morte de algum grande personagem por mordida teria que ser algo muito bem trabalhado para não ficar tosco. Ou seja, também era previsível que ninguém morreria naquele ataque. Rick conseguiu o que queria com a ajuda de Jesus, Daryl e companhia… Acho que nem vale apena comentar os diálogos entre Enid e Carl, uma tentativa de aprofundar algo que não funciona, pois não convence. The Walking Dead sempre funciona melhor quando foca na ação.

O final do episódio revelou uma “traição” esperada. Dwight, afinal, era quem tinha avistado Rosita no episódio anterior. Entretanto, Negan revelou à Sasha algo preocupante: ele sabe que Rick está tramando algo. Se os Salvadores não fossem pegos de surpresa, já seria uma missão difícil derrotá-los, mesmo com todas as comunidades unidas. Se eles estiverem preparados, será uma batalha muito pior do que foi a pela prisão. Mas a série terá coragem de matar mais protagonistas numa mesma temporada? Seguirá as HQs ou vai surpreender? De qualquer forma, um episódio final bom não salva toda uma temporada que se preocupa demais em aprofundar dramas de personagens, mas não o faz de forma interessante ao público.

Os roteiristas precisam de mais humildade para reconhecer que boa parte do que está sendo escrito não funciona na narrativa com a carga dramática necessária, e sim causa grande tédio no público. Há quem goste e aprove, mas é minoria. Resta esperar que a sétima temporada se encerre com um episódio digno e torcer por um oitavo ano melhor. Porém, não é a primeira e nem a segunda que expectativas assim são geradas, o que prova que The Walking Dead é assim mesmo. Quem curte, assiste. Quem não curte, não quer nem saber mais… É triste ver que o segundo grupo só aumenta, mas ainda torço para que o cenário mude.