Crítica | Sandy Wexler

Você pode odiar Adam Sandler e achar que muitos dos longas estrelados por ele são baboseiras sem fim, porém uma coisa é inegável: Sandler é uma máquina de fazer dinheiro, filmes bem-sucedidos e que agradam o público. Sua parceria com a Netflix para produzir longas (inicialmente seriam quatro filmes, e agora foi prorrogada para mais quatro) é um sucesso. Afinal, The Ridiculous 6 e Zerando a Vida são os produtos originais mais vistos do catálogo do serviço de streaming.

Em Sandy Wexler, Sandler é um agente na Los Angeles dos anos 1990 que representa um grupo de atores e atrizes excêntricos e que trabalha nos segmentos mais alternativos do show business. Sua dedicação a seus clientes é testada quando ele se apaixona por sua mais nova cliente, Courtney Clarke (Jennifer Hudson), uma cantora extremamente talentosa que ele descobre em uma atração do parque de diversões.

O longa essencialmente é um conto de fadas, onde “a gata borralheira” (Hudson, que voz, mulher, que voz!) é descoberta pelo “príncipe”, aqui travestido de um agente de bom coração (afinal, ele mente para seus clientes não saberem o quanto de talento falta em alguns deles), porém extremamente cafona ao se vestir, tem péssimos hábitos alimentares, isso sem falar na voz irritante e na falta total de senso em determinados ambientes sociais.

Um dos bons artifícios utilizados pelo diretor Steven Brill é simular o formato de mockumentary em alguns momentos do filme nos quais podemos ver diversas caras conhecidas dos longas de Sandler: Rob Schneider, Chris Rock e David Spade. Além de contar com a presença de figuras da TV, como Jay Leno e Jimmy Kimmel, que dão depoimentos sobre o “lendário” Sandy Wexler e sua forma de conduzir a carreira de seus agenciados. Essas cenas possuem ótimas tiradas e é possível dar boas risadas com a percepção que os convidados têm de Sandy.

Jennifer Hudson acaba não tendo uma performance tão bem explorada durante o longa, que opta em focar de maneira superficial nos muitos relacionamentos da moça após conhecer a fama. Adam Sandler se mostra extremamente à vontade no papel, mas pesa um pouco nas tintas ao mostrar as excentricidades de Sandy e deixa o personagem, às vezes, bem irritante. Vale a pena destacar as divertidas participações de Terry Crews (interpretando um lutador de luta livre) e Kevin James (que tem uma cena hilária com Sandler) como alguns dos clientes do agente.

Em sua missão de divertir sem requerer muito esforço do espectador, Sandy Wexler acaba funcionando de maneira satisfatória, mas, com certeza, seria ainda melhor com meia hora a menos de projeção.