The Flash | 3×23 – Finish Line

Mesmo com um final incrível neste terceiro ano de The Flash, esta temporada poderia ser mais conhecida como a das promessas, decepções e previsibilidades. Tudo começou logo no primeiro episódio, quando todos estávamos ansiosos para ver como seria o Flashpoint e o mesmo durou apenas um único capítulo. A partir dali, foi um festival de promessas e decepções. A segunda maior decepção foi toda a trama do Gorila Grodd: o plot durou dois episódios totalmente fracos em desenvolvimento e muito ruins em suas lutas finais, que duravam no máximo uns três minutos.

As ideias eram todas ótimas. Quem não queria ver o Flashpoint com uma realidade totalmente alterada por um Barry Allen desesperado pela sua família? Tanto o motivo fraco para que tudo isso acabasse quanto o jeito que executaram foram mal feitos. Para visualizar melhor, o Ponto de Ignição prometia trazer mudanças significativas na trama, assim como foi feito nos quadrinhos, mas serviu para algo? Duas coisas foram alteradas: o bebê John, filho de Diggle e Lyla, que antes do evento era a bebê Sara, e o despertar do poder meta-humano de Caitlin. Fora isso, alguma alteração foi feita no começo e depois tudo voltou ao normal.

Sim, era um evento que poderia mexer com todo o Arrowverse, mas se todos os produtores estivessem alinhados algo muito incrível poderia ter sido feito. Deveriam ter começado com o pé na porta e logo no início de tudo serem os crossovers entre todas as séries, ou algo parecido. Mas não, The Flash só prometeu e não cumpriu.

Sobre tudo ser previsível, menciono aqui Savitar e o twist de não ter sido realmente Iris quem morreu pelas mãos do deus da velocidade. Mas não foi ruim. Existem coisas que são previsíveis e mal trabalhadas e outras que, mesmo todos já adivinhando o que seria feito, não ficam totalmente ruins. A própria série deu dicas sobre a identidade do velocista vilão e o destino da senhorita West, e isso não é algo ruim, é algo bom, por mais que na hora em que você esteja assistindo passe a impressão de “eu já imaginava”. Isso foi tudo graças à série, que deu dicas ao longo do caminho deste terceiro ano e foi mostrando que tudo se encaixava e estava planejado.

A única coisa boa que essa temporada fez, e muito bem feita por sinal, foi o casal West-Allen. Por mais que muita gente não goste de Iris sem motivo, só pelo fato de não gostar dela mesmo, foi tudo muito bem trabalhado e a química e interação entre os dois atores era algo lindo de se ver. Iris cresceu como personagem e os dois cresceram como um casal.

O vilão Savitar também foi algo bom neste terceiro ano da série, mas a revelação veio muito tarde. Um vilão com motivação boa que causou terror necessário quando precisava, mas como demorou muito para a identidade dele ser revelada, não deu para explorar muito como ele podia afetar o psicológico de Barry Allen. Diferente de Arrow, que apresentou Prometheus como um dos vilões mais memoráveis da série. O maior problema é um cara mal e misterioso pela terceira vez consecutiva. Não precisa fazer a mesma coisa todo ano e esperar que a maior que você terá na temporada seja a revelação do vilão. É preguiçoso e nada inovador. Isso precisa ser mudado urgentemente para a série melhorar.

Esse season finale teve sua primeira parte totalmente arrastada por motivos de Barry querer salvar o Savitar. Faz sentido para o velocista, pois sempre foi daqueles, em temporadas passadas, que tinha esperança e queria salvar o mundo. Como dito, faz sentido, mas não quer dizer que tenha sido bom.

Só depois da metade do episódio que tudo fluiu, com diversas cenas de ação e a volta de Gypsy e Jay Garrick para a luta final, que sempre fazem suas participações serem ótimas e bem-vindas. Para o time não ficar cada vez maior, os produtores de The Flash podiam adotar esse esquema de não precisar aparecer todo mundo a todo momento, principalmente os heróis. Fazer com que apareçam vez ou outra, numa espécie de rodízio, nos deixando na espera de darem as caras e, no fim, tudo ser bem executado. Gypsy e Jay são assim, por que não todos?

O twist de quem mata o Savitar foi bem surpreendente também. Iris matar o próprio cara que ama mesmo não sendo ele – por bem dizer -, traz uma nova perspectiva para a personagem de como aquilo pode afetá-la futuramente. A decisão de Caitlin “continuar” como Nevasca e de se descobrir como o que é agora, também mostra uma nova dinâmica para a personagem que estava totalmente engessada num ciclo sem fim de tramas repetitivas durante três anos.

The Flash nunca deixa a gente ser feliz e, no final, já deu uma reviravolta sobre o futuro de Barry. Todos sabem que ele vai voltar, mas realmente espero que demore pelo menos um ou dois episódios para que sintamos a falta do Velocista Escarlate e só para vermos como vai ser toda a dinâmica do grupo sem o seu primeiro herói.

A série fez uma temporada de mediana para ruim durante todo seu terceiro ano, mas tem chances reais de apresentar um quarto ano totalmente novo com o Kid Flash assumindo o manto de Flash, Iris sem o amor da sua vida e uma morte nas mãos, Caitlin se descobrindo como Nevasca, a volta de Harry Wells para o time e um novo vilão que não será velocista. Só nos resta esperar e torcer para que tudo melhore.