Polícia Federal – A Lei é Para Todos | Elenco e diretor do filme participam de coletiva em São Paulo

Com estreia marcada para o dia 7 de setembro, o filme Polícia Federal – A Lei é Para Todos retrata os acontecimentos da operação Lava Jato no Brasil, revelando como teve início esse grande escândalo político de uma perspectiva até então não vista. A fim de divulgar os desafios enfrentados pelos agentes nos bastidores da missão, o longa, que tem quase 2h de duração, conseguiu resumir de forma objetiva o andamento de uma investigação sem fim e que ficará para sempre manchada na história do país.

Com o intuito de promover a trama, o diretor Marcelo Antunez se reuniu com parte do elenco em uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo na última quarta-feira, 30 de agosto, para comentar como foi o processo de produção e alguns outros detalhes da narrativa.

Assumindo pela primeira vez o comando de um thriller investigativo, Antunez iniciou a conversa falando sobre como foi o despertar do projeto, tomando para si este novo desafio de contar algo já percorrido. “Despontando em 2015 com grandes proporções, a indústria Lava Jato começou a ter desdobramentos inimagináveis, reforçando algo que não para de acontecer todos os dias. Por este motivo, nós percebemos que essa é uma história que deveria ser contada“. Com isso, o diretor disse que surgiu uma importante dúvida, pois seria muito difícil levar para o cinema uma história que é divulgada e alterada a cada dia.

Segundo Antunez, ele começou a pensar sobre qual seria o diferencial ainda não observado pelo o público, dando origem à ideia de trazer os fatos através de uma outra visão: a dos agentes federais envolvidos. “Nós queríamos mostrar o antes, como romperam essas denúncias, como eles chegaram até aquelas empresas e como foi o acesso a essas informações. Tudo isso me atraía e me puxava para essa possibilidade do gênero investigativo, algo até então pouco explorado nas produções do Brasil“, explicou o diretor.

Confirmando que a trama será contada em uma trilogia, Marcelo Antunez disse que o roteiro do segundo filme já está sendo preparado, reforçando como foi perceber que não poderia parar de contar essa história que, até então, retrata apenas o início. “Um dos desafios foi estabelecer um ponto de parada, se não ficaria impossível produzir um roteiro de cinema, já que tamanha complexidade poderia ser abordada de forma direta somente em um documentário, ou então, na produção de um livro”, disse.

Deste modo, Antunez espera tratar de forma significativa a divisão da população na continuação do filme, expondo o polêmico envolvimento do ex-presidente Lula nos eventos sucedidos. “Nós esperamos mostrar o que esse interrogatório dele acarretou, desde março de 2016 até o presente dia“, revelou. Com humor, o diretor contou que pretende finalizar este roteiro nos próximos meses, mas disse que está complicado concorrer com a engenhosidade dos políticos. “Se os ‘roteiristas’ de Brasília, que são mais criativos que os meus, não aprontarem nada muito bombástico até o final do ano, a gente consegue finalizar tudo isso. Mas a verdade é que está muito difícil competir com eles“, brincou.

Questionado sobre como foi o padrão de escolha do que seria utilizado e do que seria adaptado por mesclar no enredo a utilização de nomes fictícios e de pessoas reais, como o do Juiz Sergio Moro, interpretado pelo ator Marcelo Serrado, Antunez disse que seria impossível trazer para dentro da narrativa o nome de todos os agentes, políticos, procuradores e juízes envolvidos. Ele afirmou que não teria condição do público acompanhar em um período limitado de tempo a trajetória de cada pessoa que esteve envolvida. “Na realidade, a história da Lava Jato cresce de maneira desordenada, pulverizada, abrindo para muitos outros cantos que contam com diversas fontes diferentes. E isso não é bom para o cinema“, disse.

Para não ocorrer essa dispersão de imagem, o diretor explicou que precisou concentrar e personificar esses personagens reais nos fictícios, criando um grupo principal que seria capaz de aglutinar a ação dos verdadeiros protagonistas. “O Ivan, interpretado na história por Antonio Calloni, atua como o coordenador da força tarefa Igor Romário. No entanto, é importante realçar que nós não nos baseamos nas ações da pessoa em si, mas sim na personalidade de cada um, afinal, aqui estamos trabalhando um faz de conta e não um documentário“, ressaltou Antunez, que aproveitou para acrescentar na resposta como foi a escolha do casting:

Essa é fácil, fui muito simples pensar nos atores que estão no filme, pois ninguém questiona o talento e qualidade de cada um que foi incluído. A Flávia Alessandra, por exemplo, interpreta a Bia, uma delegada firme, muito precisa na tomada de decisões, ponderada e doce ao mesmo tempo, que transmite feminilidade. Então, para mim, é inquestionável que ela como atriz represente tudo isso. Já o Calloni, que caracteriza o Igor, é um monstro da TV e do teatro brasileiro, um ator qualificado para se transformar e entregar diversos personagens ao mesmo tempo. Por fim, o Bruce Gomlevsky tinha essa energia, esse coração pulsante, um sangue fervente que só o Julio Cesar é capaz de conduzir. Resumindo, todos eles são atores que chegaram naturalmente até mim“, explicou Antunez.

Após essa pequena introdução, Gomlevsky aproveitou para enfatizar a importância do longa para a sociedade e falou sobre como o caso gerou divisão nas famílias e no país. “No filme, nós temos uma cena do Julio com o pai, que é nitidamente isso que está acontecendo no lar dos brasileiros. Muita gente se decepcionou quando os fatos vieram à tona e se desiludiram por descobrir essa face dos candidatos em que haviam votado. Por isso, eu acredito que o filme traga um debate e uma discussão saudável“, disse o ator, que foi complementado pelo diretor Marcelo Antunez com a seguinte frase: “Essa trama não possui nenhum objetivo político, nós não queremos fazer panfletagem ou tomar a frente de algum partido. Nosso objetivo é fazer cinema, contar uma história e mostrar o que está acontecendo, só isso“.

Em seguida, Flávia Alessandra comentou sobre a experiência de encarar esse desafio e como se preparou para viver sua personagem. “Foi muito importante para todos nós ter essa oportunidade de ir até Curitiba [onde fica a sede da força-tarefa] e conhecer essas pessoas reais. Isso possibilitou uma troca de informações, que fez com que nós percebêssemos esses indivíduos como seres normais e trabalhadores, tentando acertar e colocar as coisas no lugar, propiciando uma humanização para a formação dos personagens“, explicou a atriz.

Logo após, Antonio Calloni complementou o pensamento de Flávia Alessandra. Ele disse que se surpreendeu positivamente com a equipe da real força-tarefa porque em nenhum momento alguém tentou lhe vender uma absoluta verdade. “Pelo contrário, eles são humanos, as dúvidas existiam e eles cogitavam: qual é o melhor caminho a ser tomado? É isso mesmo que nós temos que fazer? Nós estamos agindo certo? Então nós levamos esses  questionamentos para dentro do longa também. No entanto, isso são coisas que nós percebemos somente estando lá dentro e, com isso, sentimos um esforço de que as pessoas em que nos inspiramos estão tentando realmente fazer o melhor para a comunidade como um todo“, ressaltou o ator.

Para concluir a coletiva, o elenco enfatizou que o objetivo de Polícia Federal – A Lei é Para Todos não é contar uma história de heróis e vilões, mas sim fazer a população refletir sobre esse ciclo vicioso em que vive, expondo os detalhes de um caso no qual muitos cidadãos são vítimas. “Seria ridículo retratar eles assim, como se fossem heróis com capa e máscara, iguais aos das histórias em quadrinhos. Chamar o Juiz Sergio Moro ou qualquer outro envolvido de herói, indicaria uma tentativa de diminuir a importância de tudo o que eles representam ali. Afinal, como já foi dito e repetido, este grupo é formado por seres humanos que, assim como nós, ficam perplexos com a corrupção desencadeada dentro da política“, finalizou Antonio Calloni.

Imagens: Divulgação/Agência Febre