Supergirl | 3×09 – Reign

A terceira temporada de Supergirl até aqui não trouxe nada além de qualidade. Sem nenhum grande tropeço e com alguns episódios que se destacam entre os que a série já apresentou, tudo apontava para um mid-season finale ótimo, e foi exatamente isso o que aconteceu.

É verdade que nem tudo foi perfeito, mas a vantagem é que o único “problema” não envolve nenhum elemento muito importante. Obviamente me refiro ao nascimento do novo casal da série, Jimmy e Lena. Até existe a chance de que algo de bom saia daqui, uma vez que o James precisa ser reinventado para ser interessante e essa é uma oportunidade, mas é bem difícil que isso aconteça. O caminho mais provável é que a Lena, que já é uma ótima personagem, acabe ficando menos interessante por causa do relacionamento. E esse casal não é um que promete durar muito também, então provavelmente esse enredo todo será apenas uma perda de tempo para a irmã do Lex, o que é uma pena, levando em conta o quanto que ela é interessante em suas outras interações dentro da série.

Tirando isso, todo o resto funcionou. As cenas envolvendo Kara e Mon-El ficaram especialmente boas, o que não necessariamente é uma surpresa, e mostraram que mesmo separados esse casal tem uma química muito boa e possibilidades interessantes de diálogos (desde as brigas até os momentos mais descontraídos). E dentro desse núcleo do D.E.O. outro que continua funcionando bem é o Winn. Longe do centro das atenções há um certo tempo, o personagem continua funcionando bem como um alívio cômico leve, sempre dando um toque interessante nas cenas que participa.

Entretanto, o grande destaque do episódio com certeza foi o combate entre Supergirl e Reign. É verdade que alguns socos claramente não atingiram a oponente, mas a maior parte da sequência de combate foi incrível. Se estava faltando ação na série, este episódio com certeza deu conta de resolver esse problema. Esse foi o provavelmente o confronto de maiores proporções e o mais longo que a série já apresentou, e os efeitos especiais somados com uma coreografia no geral boa fizeram desse combate algo memorável.

Outro destaque foi a atuação da Melissa Benoist nos momentos entre cada golpe. As expressões que ela mostrou foram completamente novas para a personagem e muito convincentes. A Supergirl nunca apanhou tanto assim, e ela conseguiu fazer com que fosse bem fácil de acreditar no cansaço e na dor que essa luta proporcionou.

Mas por mais que o combate em si tenha sido incrível, foi o simbolismo por trás dele que mais chamou a atenção. A personagem principal nunca tinha sido completamente derrotada dessa forma. Ela já perdeu batalhas, normalmente quando exposta às suas fraquezas ou a ataques psíquicos, mas nunca foi completamente vencida assim. A Kara não só é uma personagem extremamente otimista, mas suas recentes vitórias, especialmente aquela contra seu primo, fizeram com que ela desenvolvesse uma confiança considerável em suas capacidades. Essa confiança é resultado de um longo processo de crescimento de sua personalidade, e ver tudo isso sendo quebrado é impressionante.

Ficou muito claro durante o combate que não foi só o corpo dela que ficou ferido: cada vez que Reign se levantava depois de algum golpe as esperanças de vencer iam sumindo, e nada mais literal para representar a perda de esperança do que a destruição do símbolo que ela carrega em seu uniforme. Por mais que essa representação seja literal demais, ela acaba funcionando muito bem depois do que se passou aqui. Kara foi completamente vencida física e mentalmente, e as consequências disso serão muito interessantes de se acompanhar.

Reign foi um episódio incrível, com um dos melhores, ou talvez até o melhor, combate que a série já teve. A Worldkiller se mostrou a mais poderosa inimiga da Garota de Aço e com certeza será interessante ver o que aguarda essas duas personagens quando a série retornar em 2018. Kara terá um longo caminho pela frente. Com seu coração partido e sua confiança ferida, a personagem principal provavelmente terá momentos difíceis antes de poder ir atrás de uma revanche. Tomara que o próximo ano chegue logo, porque Supergirl promete muita coisa no restante de sua terceira temporada.