The Crown | A segunda dose da realeza britânica é ainda mais envolvente

A Netflix agraciou seus assinantes com a segunda temporada do drama britânico The Crown, que acompanha a vida da Rainha Elizabeth, da Inglaterra, desde que ela tomou posse da coroa. O retorno não ficou atrás do primeiro ano da série e trouxe ao espectador momentos mais tensos entre a Família Real, sempre rodeada de escândalos internos e tramoias políticas.

A temporada começa nos mostrando como casamentos podem ser fracos, principalmente para a época que se passa esse começo da produção, e vemos Elizabeth e Philip em crise, montando um plano para que o casamento dê certo, já que como a Rainha bem lembra ao Duque, divórcio jamais será uma carta no baralho para os dois. Isso tudo porque enquanto Philip e um amigo inseparável faziam uma viagem com a Marinha Real, a esposa do secretário pessoal do consorte de Elizabeth pede o divórcio de seu marido, um escândalo para época, alegando abandono de lar. E é claro que a bomba estoura para o Duque, já que os homens têm um laço muito forte.

A partir daí, é pontual que esta temporada será sobre essa relação, intercalando com alguns escândalos, em relação à monarquia da época – como um crítico de jornal que critica o jeito impessoal com que Elizabeth entrega seus discursos e a dona da Coroa segue seus conselhos, passando por cima de todo o orgulho britânico. Esse crítico realmente existiu e a verdadeira Rainha Elizabeth seguiu algumas de suas dicas. Os fatos verídicos são bem legais e interessantes de se acompanhar na série, já que as montagens das cenas reais se fundem com os personagens assistindo a elas na televisão e passa uma impressão mais realista em tudo.

Os destaques da temporada são com certeza a atuação de Claire Foy, que novamente encarna seu papel com unhas e dentes e dá vida aos anos iniciais da rainha com muita garra. Será estranho não ver a atriz quando a série voltar, já que devido às passagens de tempo a Netflix precisa mudar seus personagens. Mas foi bom enquanto durou, assim como a participação de Matt Smith interpretando o muitas vezes egoísta Philip. O ator não é pouca coisa, já que em um passado não tão distante deu vida ao Doctor em Doctor Who, só que muitas pessoas chegaram a duvidar da escolha de Smith para este papel, e todos pagaram com a língua. Matt entrega um raivoso Philip, que já sabemos porque viemos do futuro, e sempre vai odiar as obrigações da monarquia, mas aprende sua lição ao final da temporada e se consolida como consorte da Rainha, entendendo que seu papel é ao lado dela e acabou.

Outro grande destaque, e será uma pena se a atriz for esnobada nas premiações do ano que vem como coadjuvante, é Vanessa Kirby, que interpreta a sempre inquieta Princesa Margaret. Arrisco dizer que a temporada não teria a mesma qualidade que o primeiro ano se não fossem os dramas de Margaret, que nos mostra que nem todo o ouro do mundo pode te deixar feliz. Querendo um amor para si mesma e mais entendiada do que nunca com as obrigações reais, ela encontra em Tony, aquele fotógrafo que viria a ser muito conhecido no futuro, uma válvula de escape desse mundo tão amargo para ela. A atriz está realmente impecável no papel, assim como Foy, e merece todo o destaque.

Em relação à política, temos a desistência de mais dois Primeiros-Ministros da Inglaterra e o povo inglês contestando mais ainda as escolhas de Elizabeth. E em meio a protestos e menções ao comunismo, quem rouba a cena são os Kennedy. O casal, popular demais na época, aparece na série para que a narrativa nos mostre a Rainha se comparando à Jackie Kennedy, outro ícone político, e as duas têm uma conversa franca sobre esse tipo de vida. Não deu tempo de ver muito dos atores, apesar de JFK ter sido interpretado por Michael C. Hall, mas os escritores de The Crown souberam usar a história a favor de Philip e Lilibeth, além de nos mostrarem de um jeito diferente a famosa morte do ex-presidente norte-americano.

Resumindo, The Crown continua sendo um dos carros-chefes da Netflix, especialmente em um ano tão conturbado para o serviço de streaming e uma quantidade considerável de séries duvidosas. Nunca foi tão gostoso acompanhar os primeiros passos de Elizabeth como a representação do poder britânico. A produção nos entrega atuações divinas, diálogos de aplaudir de pé e, de quebra, ainda ganhamos a oportunidade de ver figurinos de época, o que é algo que salta aos olhos, sem falar da sempre cinzenta Inglaterra. Sério, são raros os dias de sol enquanto a história da Coroa vai se desenrolando.

Não deixe de conferir os dez episódios da segunda temporada da produção e comente o que achou!

Imagens: Divulgação/Netflix