Heathers | Os humilhados foram exaltados

Mais uma vez nesta leva de remakes, reboots e revivals, Heathers (Atração Mortal, no Brasil), um filme clássico dos anos 1980 estrelado por Winona Ryder e Christian Slater, também teve sua nova versão. Nesta adaptação, que ao longo do episódio você pode notar que é só uma inspiração e não uma versão atualizada à risca do longa, as Heathers, que eram meninas loiras, brancas e magras, agora são uma adolescente gorda, uma negra lésbica e um gay queer totalmente fora dos padrões.

Nesta nova ideia da série, os humilhados serão exaltados, literalmente. É normal em todo tipo de seriado que só os padrões estéticos, como, por exemplo, ser branco e magro, façam os adolescentes no ensino médio serem os mais populares e descolados da escola, mas nesta realidade é ao contrário. As três pessoas mais populares fogem desse modelo e quem é o oprimido desta vez – diferente do filme – é quem segue essa linha do padrão de beleza.

Ao longo dos quarenta minutos do episódio, o que poderia ser um grande fiasco e uma forma de humilhar ainda mais a minoria que existe no mundo real se tornou uma grande sátira a tudo o que acontece atualmente. O jeito com o qual as pessoas dentro do padrão reagem a algumas humilhações e verdades ditas na cara, chega a ser embaraçoso, como, por exemplo, achar que o racismo reverso existe. E não são só os adolescentes que ficaram nessa “inversão de papéis”, os pais deles também. Por exemplo os pais de Verônica, que não saem do computador e ficam vendo vídeos de gato.

Heather Chandler (Melanie Field) é a mais interessante do elenco todo. Uma mulher gorda, emponderada, líder do seu grupo, e é interpretada de uma forma bem engraçada pela atriz que dá vida à personagem. As outras duas Heathers são interessantes também, mas não chegam ao nível de sua superior. Já a protagonista da série, Veronica Sawyer (Grace Victoria Cox), é sem graça. Ela precisa resgatar, pelo menos um pouco, o papel que era feito pela Winona Ryder, mas não consegue chegar nem aos pés da sua primeira versão. J.D (James Scully), por mais sacana que seja tanto no filme quanto na série, na versão do longa era carismático e você odiava amar ou amava odiar, porém até o final do piloto desta série ele não passa nem perto do potencial que o personagem deveria ter.

No fim do episódio, quando o público pode achar que é só mais uma versão atualizada do filme, existe um plot twist que nota-se que tudo vai mudar e não seguirão a mesma linha do que já foi contado algumas vezes (já que Heathers possui um filme e um musical). Algo bem usado do longa também é a trilha sonora, que para quem já o assistiu vai se familiarizar logo quando começa a escutar.

Apesar de tantos pontos positivos, a série não é tão boa. É aquela típica produção teen que deveria ser da CW, mas é da Paramount, com algumas tramas fracas até demais e poucos personagens a se importar. Por mais que as Heathers sejam o ponto alto do elenco, o resto não chega nem perto do que elas são, principalmente os dois protagonistas, que têm uma falta absurda de carisma. Exceto a líder delas, que é a única personagem que gera interesse.

O desenvolvimento é mediano e corre muito para contar tudo até a morte de um personagem no piloto, mas mesmo assim não fica legal. A trama, ainda que com um bom plot a ser contado, não é tão interessante como a do filme. A relação entre Veronica e J.D não mostra potencial algum e, mais uma vez comparando com os longas, não parece nenhum pouco convidativa a nos fazer gostar e ficar intrigados.

Heathers tem ótimas referências de sua obra original e traz uma história atualizada de um clássico, mas fica por aí mesmo, sem muitos personagens marcantes e com uma trama que logo pode cansar o espectador que vai acompanhar o desenrolar da série.