Supergirl | 3×21 – Not Kansas

Demorou, mas aconteceu: Supergirl decepcionou bastante em um momento muito importante da temporada. Apesar do ótimo histórico da série, no que se refere a superar expectativas e manter uma média de qualidade alta, fomos surpreendidos com um enorme tropeço… E o fato de que isso aconteceu tão perto do final deixa tudo muito pior.

Essa terceira temporada foi diferente das outras no quesito tipo de história contada, especificamente a dos vilões. Até o momento, Supergirl apresentava apenas uma grande vilã, Reign, mas para balancear a falta de outras ameaças o roteiro teve uma abundância de histórias menores, arcos secundários criados para desenvolver outros personagens. Isso não é algo ruim, mas, de certa forma, é o motivo deste episódio ter sido decepcionante. A impressão que ficou é que tentaram investir em todas as histórias ao mesmo tempo, que queriam dar andamento ou concluir todos os arcos menores em um mesmo episódio. Com tanta coisa acontecendo tudo acabou sendo um pouco decepcionante, de modo que nem mesmo os bons momentos conseguiram salvar o resto.

Mas antes de comentar os bons momentos vamos dar uma olhada no que deu errado, começando direto pelo maior dos problemas: quem foi que achou que vencer a Reign daquela forma geraria no público qualquer sentimento além de raiva e decepção? Desde o começo a worldkiller se mostra como a inimiga mais poderosa que a Garota de Aço já teve e nos primeiros dois minutos ela desaparece. Lena consegue fazer um experimento nunca antes realizado em questão de segundos – como se fizesse aquilo todo dia -, Reign é derrubada pela dupla de heróis como se ela fosse qualquer um e no final tudo milagrosamente dá certo e a Sam volta para sua casa como se nada nunca tivesse acontecido. Ninguém pensou que aquilo era uma má ideia? Que talvez todo aquele efeito da Reign se desfazendo não fosse permanente? Além de extremamente anticlimático, esse início de episódio parecia mais um furo de roteiro do que algo que foi feito intencionalmente.

E, apesar de todas essas críticas, essa nem foi a parte mais decepcionante do episódio. Pode ter sido o maior problema narrativo, mas como todos já sabíamos que Reign ia voltar e que isso seria esquecido, existe outra parte do roteiro que merece críticas: a forma como a série resolveu tocar no assunto do controle de armas nos EUA. Supergirl tem um histórico extremamente positivo quando o assunto é lidar com temas polêmicos, seja por mostrar os dois lados da história ou por tomar uma posição contra diferentes formas de discriminação. A série é mais politizada do que muitas outras que retratam super-heróis e sempre deixou isso bem claro, mas dessa vez algo deu errado. O problema não foi o “lado” escolhido pela série no debate, mas a forma como tudo se desenrolou.

O erro começo no momento em que isso aconteceu: faltando tão pouco para o final da temporada, é complicado você dar uma pausa no enredo principal para falar sobre qualquer assunto. Então o maior dos erros foi colocar esse assunto num ponto tão crucial. O momento escolhido ainda é problema por mais um motivo: não dá para falar de algo assim em um episódio só. Ao colocar esse tema no final da temporada, os roteiristas limitaram o tempo que tinham para discutir o assunto e tudo ficou extremamente raso a apressado, com uma conclusão que tentou ser impactante, mas acabou ficando vazia de significado.

Na parte boa do episódio o maior destaque foi o relacionamento entre Kara e Mon-El. Os roteiristas estão desde o começo da temporada tentando “consertar” o membro da Legião e mostrar o tanto que ele amadureceu enquanto estava no futuro, e o resultado está bem positivo. Os diálogos entre dois foram bem interessantes e tudo parece indicar um final feliz para o casal. Coitada da Imra.

Outro ponto positivo é a relação de pai e filho entre os marcianos. O roteiro está (não tão) lentamente preparando o público para a morte de M’yrnn, e quando esse momento chegar tenho certeza que será muito triste. O personagem foi um dos pontos altos da temporada e fará falta.

Por tentar resolver muita coisa de uma vez só, gastar tempo falando de assuntos não relacionados à série fora de hora e por ter apresentado o início de episódio mais anticlimático da história da série, Not Kansas decepcionou e não foi pouco. Esse enorme tropeço ainda pode ser resolvido, mas tão perto do final algo assim é bem preocupante. Seria horrível ver uma temporada apresentando um fim muito abaixo das expectativas.