Crítica | 22 Milhas

Nascendo como uma nova aposta do diretor Peter Berg e do ator Mark Wahlberg, 22 Milhas apresenta um grupo de forças especiais dos Estados Unidos em uma missão estilo overwatch em busca de um material extremamente tóxico, capaz de gerar inúmeras vítimas e deixar cidades inabitáveis ao redor do mundo. E quem tem a informação preciosa que pode revelar a localização deste material é o informante Li Noor (Iko Uwais), já que ele é a única pessoa com acesso à senha capaz de desbloquear o HD criptografado com esses dados antes que milhares de inocentes sejam expostos ao material.

Mas, como não existe almoço grátis, é claro que o informante não dará a informação de mão beijada. Em troca, ele exige do governo americano asilo nos Estados Unidos após a liberação da senha ao grupo. Com isso, cria-se uma força-tarefa para transportá-lo ao aeroporto, onde ele revelaria a senha e seguiria para sua ida ao país norte-americano, enquanto a busca pelo material tóxico era continuada. Tratando-se de um plano repleto de tática, obviamente não seria uma tarefa simples ou que passaria despercebida. Principalmente pelas autoridades asiáticas (continente onde a trama se passa), que também estão de olho em Li Noor e farão de tudo para impedir o sucesso da missão.

E é a partir de uma trama cheia de histórias paralelas mal elaboradas e uma direção sem rumo que o longa se estabelece. Se a complexidade de cada personagem fosse melhor desenvolvida, talvez 22 Milhas não fosse um caminho tão tortuoso de se acompanhar. O roteiro confuso, unido à montagem cansativa e cheia de cortes, torna o longa exaustivo de assistir. As cenas dos conflitos não trazem nenhuma novidade ao espectador e o destino de alguns dos personagens fica fácil de se desvendar ainda na metade da projeção.

No que diz respeito ao protagonista Jimmy Silva, Mark Wahlberg não cria a menor empatia com seu público. Caracterizado no longa quase como uma máquina mortífera, dado os traumas vividos ainda na infância – e apresentados mais rapidamente do que uma corrida de Usain Bolt, ainda nos créditos iniciais -, o agente chega às telas como um cara rude e psicótico, o que o descredibiliza bastante quando ele resolve ter atitudes contrárias a este perfil.

A direção muito solta de Berg também acabou errando a mão com Iko Uwais, que dá vida a Li Noor, e Lauren Cohan, que interpreta a colega de equipe de Jimmy, Alice. Dadas as características maternais e brutais da personagem, fica difícil distingui-la da icônica Maggie Greene, personagem vivida por Cohan em The Walking Dead. Já Li Noor, misterioso e quieto, poderia ter sido melhor aproveitado na trama. Todas as apostas da projeção no ator se basearam nas cenas de luta, mais especificamente a cena do hospital. Mas a montagem confusa do filme acabou prejudicando ainda mais o fraco desempenho do antagonista, que mal conduzido na personalidade e mal trabalhado na ação, não ficou com muitas coisas boas restando no todo.

Se separarmos os personagens e suas respectivas motivações, certamente renderia uma trama bem interessante de se acompanhar por inteiro. No entanto, a péssima abordagem destas, juntamente aos planos excessivamente movimentados e sua montagem picotada, entregam ao espectador uma narrativa empobrecida.

Tal característica ganha ainda mais intensidade ao aproximar-se de seu clímax, que deixa muitas coisas em aberto na tentativa de ensaiar a possibilidade de desenvolvimento de uma sequência. Como resultado, o público ganha um filme que não envolve e, de quebra, não traz respostas, garantindo, assim, uma conclusão confusa e mal feita.