The Walking Dead | 7×13 – Bury Me Here

Que a segunda parte desta sétima temporada de The Walking Dead não está correspondendo às expectativas todo mundo sabe. Depois de dois episódios que lidaram com mais de um núcleo, o que melhorou muito o ritmo narrativo da série, caímos naquele exclusivo de Eugene, o que está longe de ser necessário, e na caçada de Rick e Michonne, que também não justifica um episódio exclusivo para isso. Bury Me Here não fugiu desta regra e foi escrito somente para falar do Reino. Porém, diferente das últimas duas semanas, tivemos uma construção dramática melhor, com conflitos bem pensados e situações de tensão muito mais emocionantes do que a falsa morte de Rick semana passada.

Precisamos sempre lembrar que The Walking Dead já não é mais uma série sobre zumbis faz tempo. Se tornou, desde a quinta temporada, uma série sobre pessoas adaptadas a essa nova realidade, com novas regras, novas condutas éticas e/ou morais. Os zumbis não assustam mais e faz tempo que uma morte causada por eles impressionou. A tensão agora é entre pessoas, entre quem está vivo. A relação de Ezekiel com Os Salvadores sempre foi a mais pacífica entre as comunidades. Eles não entram no Reino e Negan nem parece dar muita importância ao lugar, visto que são capangas secundários que fazem a cobrança semanal. A tensão entre os grupos foi aumentando a cada troca e ainda não chegou à ruptura, mas quase desta vez.

A morte de Benjamin ficou clara para mim desde o momento em que Carol negou lhe ensinar seu jeito de sobreviver e insistiu ao jovem que fosse fazer sua entrega. Que Richard iria complicar as coisas também ficou claro, só não engoli aquela história de que ele se mataria pelo grupo, nem eu e muito menos Morgan, pelo jeito. A tensão nessas entregas está entre as melhores coisas desta temporada, pois não vemos a hora de esse acordo ir para o espaço e todo mundo disparar balas para todo lado ali. A surpresa de Bury Me Here foi mesmo Morgan, o mais pacífico de todos, surpreender e matar Richard a sangue frio para ajudar na encenação de que o Reino “entende o que tem que fazer”.

Mas… quem é Morgan? Vamos relembrar? Ele está nessa de salvar a vida humana há um tempão. E o ritmo lento dessa série faz parecer que sempre foi assim, mas Morgan é alguém que está aprendendo uma nova filosofia. Quem muito repete um discurso é quem mais precisa desse mesmo discurso. Até encontrar seu mentor, que o aprisionou em um cela para “convertê-lo”, Morgan não era muito diferente de um capanga violento dos Salvadores. Matava sem hesitar, principalmente após a morte do filho, Duane, que voltou para a série ao ser mencionado pelo próprio Morgan em seu momento de fúria.

Fato é que Morgan percebeu que evitar o confronto não vai salvar vidas, não enquanto o outro lado não seguir a mesma ideia, e sabemos que Os Salvadores não estão nem aí para a vida de ninguém. Se Alexandria, Hilltop e o Reino ainda existem é porque são úteis e aceitam o regime de servidão. Do contrário… bom, Glenn e Abraham estão aí (ou, no caso, não estão mais) para mostrar o que acontece. Ele se prepara para a guerra, mas sabe que não conseguirá sozinho, então vai atrás de quem? Dela mesma, Carol, que finalmente largou o ostracismo voluntário a que se submeteu para voltar ao jogo após Morgan revelar o que aconteceu quando o grupo de Rick finalmente conheceu Negan.

Eu sei o que alguns podem pensar, The Walking Dead é especialista em gerar expectativas e não atendê-las, mas eu fiquei muito empolgado com o que está por vir. Claro que isso só deve começar lá pelo final da sétima temporada, porém o ódio aos Salvadores e a Negan aumenta a cada dia. E eles são desprezíveis. Negan, Simon, Dwight e todos os outros colecionam entre seus inimigos o público, que não vê a hora de assistir umas cabeças explodindo, porém dessa vez, a dos Salvadores. E que comece nesta temporada, pois não aguentamos mais esperar.