Fora de Cena | A Princesinha

Algumas histórias têm o dom de nos tocar. A mensagem que querem transmitir é bela, importante para vida, mas por vezes também muito triste. Filmes com este tipo de enredo raramente são esquecidos por aqueles que os assistem. Que este texto funcione como um incentivo para você que ainda não teve a oportunidade de assistir a este filme. Que ainda não sorriu e se emocionou com esta história que tem tanto a ensinar.

A Princesinha é um filme de 1995 baseado no livro homônimo publicado em 1905 pela inglesa Frances Hodgson Burnett, mesma autora de O Jardim Secreto. Quem conhece os dois filmes com certeza perceberá semelhanças entre ambos, como o local de origem das personagens principais e suas situações familiares. Apesar disso, vale ressaltar que as duas histórias percorrem caminhos bem diferentes devido à diferença de personalidade entre as duas principais e o modo como se relacionam com as demais personagens.

Neste filme somos apresentados à jovem Sara Crewe, que mora na Índia com seu pai. Sua vida é tranquila e repleta da magia das histórias e lendas locais. Embora seja órfã de mãe, o amor e a sua relação com seu pai são mais do que suficientes para proporcioná-la toda a felicidade do mundo. Infelizmente a guerra aconteceu e fez com que o pai de Sara tivesse que retornar à Europa para lutar. A menina foi então mandada para uma escola de moças na América, onde – ainda que não soubesse de início – viria a travar a sua própria guerra.

O modo como Sarah vê o mundo e encara os obstáculos é umas das mais belas histórias de perseverança que já encontrei nesta vida. São em situações como essas que percebemos que o filme não precisa ser baseado em fatos reais para nos transmitir importantes ensinamentos, tampouco nos emocionar. A história desta menina, que tem que enfrentar a separação do pai, o estranhamento de regras que não fazem nenhum sentido, além do preconceito e da crueldade, é muito mais sólida do que muitos livros de autoajuda. Tudo, desde as imagens que o filme traz até a trilha sonora, está ali para sutilmente nos tocar.

A força que Sara possui para encarar todas as desventuras que lhe acontecem e também os momentos em que ela simplesmente se desespera e chora por não saber o que fazer, humaniza essa personagem fictícia, a traz para perto de nós e nos faz sorrir e chorar com ela. É possível que após este filme o conceito de “princesa” se altere um pouco. Essa palavra aqui nada tem a ver com a beleza externa ou com riquezas materiais. Explicar o que ela realmente significa é fácil, mas prefiro deixar que a própria Sara explique.