Jukebox | Kendrick Lamar – DAMN.

O quinto álbum de Kendrick Lamar já está entre nós e não poderíamos estar mais animados para falar sobre a importância, relevância e sonoridade incríveis que ele tem, especialmente quando conta com a presença de ícones da música, como Rihanna e U2, e de um single de estreia tão poderoso e icônico quanto “HUMBLE.“.

Esqueça os vestígios de jazz do magnífico “To Pimp a Butterfly“, Lamar adota um caminho completamente oposto de seu álbum anterior, porém igualmente forte e coeso. Desde o início com “BLOOD.“, Kendrick coloca sobre a mesa os seus medos e coragem para dissecar cada palavra. Nada é desperdiçado e todas as canções parecem estar perfeitamente estudadas.

Nesta introdução ao álbum, nos é proposta certa dicotomia entre o mal e a fraqueza. A partir desse momento, Kendrick Lamar demonstra um olhar calmo, inicialmente até mesmo com uma certa distância, para, em seguida, nos detalhar uma espécie de jardim de prazeres terrestres do rap. Seu som sofreu uma mutação, temos agora influências de eletro e trap music, old school rap, G-Funk, entre outros estilos… Sua voz também mudou bastante. O falsete de “PRIDE.” nos deixa estupefatos, a força e ferocidade de “DNA.” está na contramão direta de “LOVE.“.

Por outro lado, Deus e a religião transitam em todo o álbum, e não apenas na catártica “YAH.“. O alto nível continua com “ELEMENT.“, que vale seu peso em ouro por nos presentear com um Kendrick assertivo, atacando seus adversários sem piedade através de um rap old school de encher os ouvidos. Os ataques atingem a indivíduos como o rapper Big Sean e chega até mesmo ao canal norte americano Fox.

Por fim, o dueto com Rihanna chamado LOYALTY.” soa como uma afronta direta ao rapper Jay Z, com os dois artistas falando sobre amor, sexo e respeito em uma sintonia quase perfeita, nos remetendo às canções melódicas e poéticas dos anos cinquenta. Sobre a outra colaboração do álbum, “XXX.“, ouvimos Bono Vox em uma canção com forte conteúdo político – como poderia ser de outra forma, não é mesmo? -, questionando os Estados Unidos da América atual e nos remetendo à banda U2 do memorável “Achtung Baby“, ao lado de um Kendrick Lamar enfezado e raivoso.

Em suma, “DAMN.” é um álbum poderoso, a expressão profunda do que se passa na mente de um gênio, até porque após essa masterpiece é injusto chamar Kendrick Lamar de qualquer outra coisa que não seja isso.

Avaliação do Álbum

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