6º Olhar de Cinema | Mostra Competitiva

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba tem entre suas principais peculiaridades a pluralidade dos filmes exibidos nas suas mostras. De produções que vêm da Venezuela e até da Tailândia, diversas formas estéticas diferentes de se fazer cinema se encontram, fazendo desde festival uma oportunidade única para o público geral e os cinéfilos entrarem em contato com produções que não chegam às grandes salas de cinema. Neste post pretendo compartilhar um pouco do que vi nesses primeiros dias do Olhar de Cinema e dar umas dias do que ainda tem pela frente.

Mostra Competitiva – Longa

Sem esconder seu viés sócio-político, o festival traz para sua principal mostra produções que dialogam entre si, mesmo com estéticas diferentes. Dentre os filmes que assisti, dois se tratam da questão dos refugiados e imigrantes ilegais que partem da África e Oriente Médio em direção à Europa. O documentário Vangelo (2016), de Pippo Delbono, explora a situação de refugiados que trabalham em condições difíceis na Itália. Com um olhar introspectivo, o diretor faz críticas ao cristianismo criando cenas extremamente fortes ao abordar a situação específica de alguns refugiados. Encenando diversos momentos do longa, Delbono imprime sua visão sobre uma questão atual vivida por Itália e toda a Europa. É difícil sair da sala de cinema sem ser impactado por alguns momentos de Vangelo.

Seguindo a temática de imigração, temos a produção Corpo Estrangeiro (2016), de Raja Amari, filme que conta a história de Samia, uma jovem tunisiana que vive ilegalmente na França. Lá, ela procura um emprego e encontra em uma viúva rica uma amiga e protetora. O drama se mistura entre triângulo amoroso e suspense, o que permite deixar implícito o sentimento de um imigrante ilegal em um país, além de abordar aspectos e preconceitos dentro da religião islâmica. Narrativas clássicas como Corpo Estrangeiro costumam agradar mais ao público geral. Com um roteiro bem escrito, apesar de não apresentar uma direção muito criativa, o filme passa sua mensagem.

Tanto Vangelo quanto Corpo Estrangeiro lidam com o mar como um grande antagonista para os refugiados. A protagonista Samia sobrevive a um afogamento na primeira cena do filme. Já Pippo Delbono cria uma cena com uma crítica fortíssima em Vangelo ao levar um refugiado ao mar e pedir que ele repita frases como “homens não andam sobre as águas, homens se afogam nas águas”. Uma verdade dura e cruel, que faz da questão imigratória um debate urgente. Corpo Estrangeiro terá nova exibição na próxima terça-feira, dia 13 de junho, às 16h, no Cineplex 5 Novo Batel.

Outras duas produções que dialogam entre si são as indianas Newton (2016), de Amit V Masurkar, e Máquinas (2016), de Rahul Jain. Newton é um drama com pitadas de comédia. Aborda a história de Newton, um funcionário responsável por levar uma seção eleitoral até uma comunidade isolada na Índia. Dentro da selva, descobre que a democracia representativa é uma falácia e que essa comunidade, obrigada a votar, não vê nenhuma representatividade nos diversos candidatos disponíveis. Colocando um tema importante em pauta, Newton não evita diálogos expositivos para expor sua questão. Se isso é um problema, ao menos mantém o público entretido até o momento final. Provavelmente é um dos filmes da mostra competitiva mais carismáticos.

Já Máquinas é um documentário observativo que aborda uma fábrica têxtil na Índia. Com uma bela fotografia, somos mergulhados na rotina de trabalho dos funcionários dessa fábrica de maneira quase hipnótica. O relato da vida difícil dos trabalhadores entra em diversos momentos do longa e se configura como um retrato dessa vida. Ao meu ver, Máquinas seria muito mais interessante se tivesse outra estética que levantasse mais questões, gerando reflexões importantes que Newton consegue com mais facilidade. Entretanto, me parece ser o tipo de obra que agrada aos críticos.

Aí vão algumas dicas de filmes e seminários desta segunda-feira (12) para quem está em Curitiba:

14h – Masterclass Anocha Suwichakornpong – A cineasta tailandesa, destaque da mostra Foco, fala de sua obra e suas influências estéticas no seu processo criativo.

18h45 – Grande Grande Mundo – Turquia | 101′

21h45 – Navios de Terra – Brasil | 70′

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