Orange is the New Black | A quinta temporada

Não existem meios-termos ou meias opiniões que definam a polêmica quinta temporada de Orange is the New Black. Para alguns, um desperdício de plots e discussões relevantes – algo que sinceramente eu não poderia concordar menos. Já para a maioria, a prova cabal de que Jenji Kohan até esta data é a única showrunner da Netflix a compreender que o sistema de binge watching não deveria ser um empecilho para uma série se comportar como uma série. Aqui há espaço para cliffhangers, para episódios temáticos, para o mais genuíno twist dramático de meio de temporada e, claro, espaço para todo o elenco do show brilhar.

A rebelião em Litchfield pode até ter se estendido um pouco demais, apesar de toda a trama se desenvolver num período de 72 horas, mas acredito que depois do soco que foi o último season finale, a série precisava deixar todas aquelas personagens respirarem um pouco. E não é nem que não tenhamos tido um tempo de pesar pelo destino de Poussey, afinal todas as reações de Taystee, Soso, Janae, Alison, Suzanne e até as de Black Cindy resgataram as lembranças que a gente tinha da amiga que se foi. Então eu não compro essa ladainha de que não respeitaram o final de Poussey.

Episódios poderosos, como Sing It, White Effie, entram fácil na lista de melhores momentos de toda a série, e não é exagero dizer que aquele discurso final de Taystee deve garantir a primeira indicação da querida Danielle Brooks para as vindouras premiações de 2018. Falando da rebelião em si, por um tempo eu fiquei meio divido quanto ao enfoque dado a certos desdobramentos. O desenvolver em “quase tempo real” serviu para justificar a inércia das autoridades que, pasmem, segundo a crítica americana, não soou nenhum pouco irreal. O sistema carcerário de lá é tão ruim quanto o nosso, logo nenhum governo estadual dá a mínima para prisões estaduais, quanto mais para as privatizadas.

No entanto, o lance das 72 horas infelizmente travou diversos plots, como o da obsessão de Red com o passado de Piscatella, e chegamos a passar mais da metade da temporada tendo que aguentar a mama russa movida à cafeína e outras drogas dentro de uma sala com a Blanca. Na mesma linha seguiu as insuportáveis Leanne e Angie. O episódio Litchfield’s Got Talent foi sim divertidíssimo, mas daí a estender piadas sem graça com personagens cujas ações beiraram ao mais puro exploitation, tornou-se indigesto e apelativo.

Felizmente tirando esses tropeços, jogar Alex e Piper de encontro a conflitos aguardados também foi um dos acertos do time de roteiristas. Todos nós conhecemos a Alex indiferente e não foi nenhuma surpresa ver que ela quis distância da loucura que acontecia dentro de Litchfield. Deixarem elas à mercê da fúria de Piscatella movimentou a reta final do quinto ano, dando uma urgência quase sufocante aos últimos episódios. Somem isso ao desespero de Gloria em conseguir uma chance de ver o filho hospitalizado e aquelas lágrimas derramadas que nós já conhecemos chegaram fácil, fácil.

No final, o desenvolvimento de Frieda e das old ladies de Litchfield ganhou um porquê todo especial quando os últimos momentos no bunker arrancaram nossos corações com tanta tensão e emoções. Foi também por conta desses desvios um tanto quanto peculiares que nos emocionamos genuinamente com a súbita separação de Flaritza – elas sim mereciam o enfoque que Leangie ganhou – e das reações dos familiares e das detentas antes delas serem direcionadas para os novos ônibus e presídios.

Ainda falta um bom tempo para descobrirmos o desfecho de mais um inenarrável cliffhanger como foi o do cordão humano. Se Jenji Kohan e sua equipe estiverem dispostos a nos emocionar com tanta sinceridade e humildade novamente, eu estarei pronto e de braços abertos. Orange is the New Black ainda é minha série favorita da Netflix e acho difícil ela perder o posto de melhor também.