Desventuras em Série | 2×05/06 – A Cidade Sinistra dos Corvos: Volumes 1 e 2

Você, ingênuo leitor, achava que a cidade de C.S.C. traria as repostas e o alívio necessários para as vidas dos nossos queridos e desafortunados órfãos Baudelaire? Pois é, mas não foi desta vez – de novo – e já adiantamos para você o que o nome da cidade quer dizer: Cultores Solidários de Corvídeos, ou seja, um bando de gente que adora corvos, ou seja, nada a ver com uma organização secreta, logo outra pista de arenque, ou melhor, de araque.

Fato é que os órfãos foram para esta cidade, que é sua nova tutora, pois “é preciso uma cidade para educar uma criança”. Claro que seria uma ideia bem interessante em qualquer outro universo, mas neste mundo cheio de infortúnios em que Klaus, Violet e Sunny estão mergulhados, essa frase significa que eles serão obrigados a fazer as tarefas de toda a cidade enquanto são novamente atormentados por um disfarçado Conde Olaf e sua igualmente disfarçada e desagradável comparsa Esmé.

A perseguição de Olaf aos órfãos já é de praxe e, por mais desagradável que seja, tenho certeza de que você já está mais ou menos acostumado. Há, no entanto, vários outros elementos nestes dois episódios que irão te causar muita angústia. O primeiro deles é uma viagem de carro extremamente longa e desagradável. E o segundo e mais importante é o significado simbólico que os corvos representam no imaginário popular: morte. É, meus caros, por mais duro que seja dizer, alguém vai deixar a história, e essa pessoa não é do núcleo vilanesco.

Relembrando: Olaf ainda tem os trigêmeos Quagmire escondidos do arenque vermelho, mas assim que ele e sua trupe chegam em C.S.C. decidem escondê-los em outro lugar. Por conta disso, o objetivo principal dos irmãos Baudelaire é resgatar seus amigos, mas infelizmente não fazem ideia de onde eles possam estar. Por sorte todos eles são crianças muito espertas, e os Quagmire começam a enviar através dos corvos mensagens para os Baudelaire decifrarem e finalmente os salvarem.

Eles poderiam ter escrito “estamos dentro do enorme chafariz em forma de corvo”?, poderiam, mas da mesma forma que Gandalf poderia ter levado Frodo e o anel até Mordor voando e não o fez, não é isso que acontece. Na verdade, vocês precisam se acostumar de uma vez por todas que em histórias como esta nada vai acontecer nem como era esperado, nem da maneira mais fácil. Posto isso, gostaríamos de chamar atenção agora para o antigo corpo de bombeiros da cidade que passou a ser um bar, mas que, devido ao incontável número de regras de C.S.C., está fechado.

Bom, não é a primeira vez que temos a oportunidade de perceber que não apenas Olaf, mas também outros personagens como Jacques Snicket e o próprio Lemony, já estiveram nos locais em que os órfãos “coincidentemente” acabam indo. A essa altura do campeonato você, caro leitor e espectador do seriado, já deve ter percebido que todos ali, voluntários e vilões, têm um misterioso passado juntos que desencadeou todas as tragédias que vieram a atingir muitas pessoas e não apenas os Baudelaire.

Para quem gosta de detalhes, daqueles que só quem leu os livros com afinco e é um bom observador, aqui vai um. Logo quando entra no antigo corpo de bombeiros, Olaf é surpreendido por Jacques, que o havia seguido para (tentar) por um fim em seus planos malignos. Os dois têm uma conversa bem interessante, cujos detalhes não podemos entender ainda por falta de informações. E em um determinado momento, Olaf olha para um balcão onde vê seu nome gravado na madeira junto de três nomes de mulheres rabiscados. Um pequeno vislumbre do passado e da vida amorosa desse vilão que, segundo Jacques, já foi um homem de bem.

Sobre os nomes das mulheres, é claro que não conseguimos ler todos direito. O primeiro seria Georgina, o segundo Josephine (conhecemos alguma?) e o terceiro só deu para ler a primeira letra: K. Decerto os fãs dos livros têm fortes palpites de quem seja essa mulher, mas não iremos aqui soltar nenhum possível spoiler, uma vez que, se for mesmo quem pensamos ser, é um detalhe bem importante para o enredo e foi terrivelmente criativo por parte do seriado colocá-lo ali. Voltando ao enredo, após esta conversa, Jacques consegue capturar Olaf e o leva para a prisão da cidade sem saber que lá estava Esmé, disfarçada de chefe de polícia. No dia seguinte, a cidade acorda com a incrível notícia de que Conde Olaf havia sido preso. (Aham, claro).

Paralelo a isso, a vida dos Baudelaire continua difícil: além de não terem a menor ideia de onde seus amigos foram escondidos, não estão conseguindo decifrar os poemas de Isadora e ainda por cima estão tendo que limpar a cidade inteira – que está sendo suja de propósito pelos comparsas de Olaf. Além disso, Hector, rei dos desmaios e escolhido pelo conselho de anciões da cidade para hospedar os Baudelaire, embora tenha um bom coração e a excelente ideia de construir uma casa inflável autossustentável para ir embora e viver para sempre longe de todas as desventuras da vida, tem também muito medo de enfrentar as regras da cidade para ajudar os órfãos com qualquer coisa que eles precisem.

E quando os três descobrem que Jacques Snicket foi preso no lugar de Olaf – agora disfarçado de Detetive Dupin – eles iriam precisar de muita ajuda para tirá-lo da cadeia antes que fosse – pasmem – queimado na fogueira. Infelizmente os Baudelaire só podem contar com eles mesmos e começam a bolar um plano para ajudar Jacques. No entanto, como vocês bem lembram, corvos remetem à morte, e mesmo que Jacques tenha conseguido sair da cela com a ajuda da bibliotecária e a mandado em busca do açucareiro, ele não teve muita sorte ao enfrentar Olaf pela segunda vez e foi friamente assassinado. Menos um Snicket no mundo. No dia seguinte, a cidade acorda com a incrível notícia de que Conde Olaf havia sido morto. (Aham, claro – parte 2).

Antes de morrer, Jacques consegue pelo menos esclarecer para os Baudelaire que a tatuagem de Olaf, que ele também possui, não é um olho, mas sim as iniciais V.F.D. (originais do inglês). Pena que não dá para formar a mesma imagem com as iniciais em português, mas a gente supera isso. O que ninguém esperava era os próprios Baudelaire seriam apontados como culpados de sua morte pelo falso detetive. Mais surpreendente que isso: Olaf aponta Sunny como a mente criminosa.

Isso só reforça a afirmação de que, dos três irmãos, Sunny é definitivamente a mais odiada pelo conde monocelha e também prova (novamente) o quão inútil o Sr. Poe é, uma vez que acredita piamente que os órfãos de fato cometeram o crime. Eles vão presos e posteriormente seriam queimados na fogueira, mas felizmente essa segunda parte não acontece. O que acontece é o seguinte: eles conseguem escapar e acham os Quagmire. Juntos, tentam fugir com Hector e sua casa inflável, mas como são perseguidos por Olaf, Esmé e uma multidão enfurecida que quer queimá-los na fogueira, apenas os Quagmire conseguem se salvar e ir embora com Hector.

Reforçando a ideia de tudo que está ruim pode e vai sempre piorar, entra em cena algo que tememos muito e que ainda fará estragos nesta história: o lançador de arpões. Neste momento o estrago foi no caderno de anotações de Duncan, que continha todas as informações sobre C.S.C. que os Baudelaire precisavam saber e em um corvo. Por ferir um corvo, quebrando a regra número um da cidade, Olaf e Esmé são perseguidos pela multidão enfurecida, possibilitando que os Baudelaire fossem embora. Escapar dessa situação com certeza representou um alívio para os três, mas a angústia ainda é presente, uma vez que não sabem se um dia voltarão a ver seus amigos novamente e pior: não têm a menor ideia do que o destino lhes reserva.