Animaction | A Morte do Superman

A animação de 2007 nos traz dois grandes presentes: a produção de Bruce Timm e a tradução para o português de Superman: Doomsday para A Morte do Superman. Claramente o filme aborda os dois assuntos num roteiro muito bom que envolve todo um drama sobre Metrópolis e o Homem de Aço. O plot principal envolve a descoberta de Apocalypse acidentalmente pela LexCorp, e com o monstro à solta nosso herói vai lutar para defender as pessoas. Uma observação rápida é que Apocalypse nos é apresentado como erro alienígena de alguma raça que não conseguiu detê-lo e, para tal, eles o trancafiaram há muito tempo no subsolo da Terra. O mesmo ainda foi criado para ser um supersoldado, porém acabou que não conseguiu distinguir entre o certo e o errado, informação esta que o transformou no perigo e provavelmente destruidor de seus criadores.

A mesma mensagem nos é reforçada ao longo do filme quando vemos que após a grande luta o Homem de Aço morre, deixando todos de luto, inclusive Jimmy Olsen e Lois Lane, a quem neste ponto ele já namorava há algum tempo como herói (ainda sem revelar sua identidade secreta). Claro que Lois é mais esperta e percebe a ligação entre o namorado e o colega de trabalho quando Kent some numa suposta viagem ao Afeganistão, e é neste momento que ela começa a se destacar no filme por mostrar toda a perseverança da personagem, já que encara a sogra lá em Smallville e diz que acaba por descobrir a verdade sobre o Superman após a batalha em Metrópolis.

Quem também fica muito chateado com a situação de perder seu maior inimigo para um monstro como Apocalypse é Lex Luthor, mas o mesmo não se contenta e comete um crime que só vamos descobrir após a aparição de um novo Superman. Claramente ele não é Kent e vimos isso desde o começo de suas aparições no céu da cidade, quando o seu senso de justiça entra em conflito com o que o Superman de verdade faria. É quando o clone desenvolvido por Luthor mostra sua verdadeira cara que Lois começa a investigar mais a fundo e temos notícias do que realmente aconteceu com o verdadeiro Homem de Aço. Kal-El foi clonado por Luthor, mas 17 dias depois do enterro seu corpo é removido da LexCorp  pelo seu fiel robô kryptoniano para que o mesmo seja cuidado como se deve na Fortaleza da Solidão.

Enquanto isso, o clone do filho de Krypton transforma-se no inimigo número um da cidade. Temido e odiado, os humanos decidem tomar alguma providência e ir contra este Superman que mata e obriga qualquer um a seguir o seu senso de justiça totalmente distorcido. Assim como vimos anteriormente com Apocalypse, por mais que ele tenha sido criado para defender os fracos e inocentes, acaba por virar as costas aos que mais necessitam de sua ajuda. E claro, até de seu próprio criador quando descobrimos que, na verdade, Luthor não fez apenas um clone, mas sim vários para estabelecer um exército supremo sob seu total comando.

O fato de o filme trazer o herói para combater esta questão demonstra bem tudo que envolve em específico o filho da casa de El, e como já vimos muitas vezes ser questionado no Universo da DC, o que aconteceria caso o Superman se voltasse contra a humanidade? Bom, aqui vimos que ainda nos sobrou esperança e o verdadeiro herói consegue se reerguer, combater seu maior inimigo com as mesmas forças e fraquezas e, por fim, reafirmar o emblema de esperança nos outros, assim como tem em si mesmo.

A mensagem é bem linda e tratada de formas diversas aqui. Uma das animações que mais gosto, A Morte do Superman trata mais que bem desta emblemática dentro do DCU: o que é preciso para ser um super-herói? E claro, tenho que terminar este texto agradecendo por uma Lois tão forte quanto deve ser em qualquer adaptação de tal: forte, segura de seus instintos e corajosa em todos os momentos – inclusive se este for o momento de ver o amor da sua vida morrer em seus braços.