Animaction | Superman e Batman: Inimigos Públicos

Superman e Batman: Inimigos Públicos se passa num cenário meio surreal, porém nós compramos a ideia de que Lex Luthor é o presidente dos Estados Unidos mais fácil hoje em dia, já que Trump está residindo na Casa Branca. Sim, Luthor conseguiu se eleger por votação popular num país quebrado e em meio a uma crise que nos lembra bem o que estamos passando aqui no Brasil.

Em seu primeiro decreto ele já deixa uma mensagem clara: todo intitulado herói deve obedecer à sua lei. De início, ele consegue recrutar alguns nomes conhecidos da Liga, como Capitão Átomo, Poderosa, Katana, Raio Negro e Major Força. Com o passar do tempo ele conquista mais e mais membros com seu discurso populista de que a lei precisa ser seguida por todos e que, mesmo com superpoderes, o cidadão deve responder por seus atos.

Quem não gosta nada do novo presidente é justamente o Homem de Aço e o Batman, que se juntam para descobrir o que realmente está por trás da eleição de Luthor e seus reais objetivos para com a nação. Mas não por apenas não dobrar-se à vontade do homem mais poderoso do mundo, Superman é acusado de matar um dos seguranças dele numa armação mirabolante planejada por Luthor. E claro, ele teve a ajuda de Metallo e depois descobrimos que a de Major Força também, mas as provas contra Superman são mais fortes e fazem com que a população se volte contra ele e seu melhor amigo.

Como se nada disso bastasse, após intitulá-los de inimigos públicos da nação, Lex cobra um prêmio pela cabeça do seu maior inimigo, deixando assim que todos os vilões possíveis o cace, tal como alguns outros “heróis”. No meio disso tudo o mundo ainda sofre uma ameaça maior, que é um meteoro enorme de kryptonita vindo em direção à Terra e, claro, Superman não é o homem mais cogitado para o trabalho neste cenário.

Amanda Waller, a vice de Luthor, ainda cogita chamar Homem-Brinquedo/Hiro para salvar o mundo após a falha enorme dos mísseis enviados pelos Estados Unidos. Porém, a mini rixa entre o presidente, Batman e Superman ainda está em seu clímax, o que deixa no ar aquela velha pergunta: quem vigia os vigilantes? Se a briguinha entre um vilão e um herói coloca o destino do planeta inteiro em risco assim – como ocorre várias vezes em animações, filmes e HQs –, por que a população se deixa entregar desse jeito?

E neste ponto eu sempre irei concordar com o Batman: alguém precisa impedir a humanidade de ser destruída, nem que seja impedindo os próprios heróis. Um exemplo mais claro disso acontece na sequência de luta entre os inimigos públicos e o time que Luthor uniu. O fim que Major Força teve foi simplesmente catastrófico demais, e arriscar tudo nas mãos do Capitão Átomo também foi.

Para a sorte da humanidade, o Batman sempre consegue salvar o dia… E aqui não é diferente: ele impede o meteoro se sacrificando mais uma vez e deixando que Superman lide com Luthor. Eu, sinceramente, gostaria de ver mais do Homem-Brinquedo/Hiro nas animações, ele me parece um personagem cheio de potencial e, graças à sua inteligência, os super-heróis conseguem salvar o planeta novamente.

A animação é bem roteirizada, apesar de trazer várias perguntas que são respondidas só no final do filme mesmo, e isso é bom até o ponto em que o desenrolar da história vai preenchendo os vazios do roteiro. Além claro, de trazer várias sequências de lutas boas, como Capitão Marvel vs Superman, ver o Batman vestido de Gavião Negro e aceitando a ajuda de Waller também nos remete àquela conversinha entre os dois em Batman vs Superman. Mas, por ora, ficamos com a deixa do morcegão de que “está tarde”. Até a próxima, meninos e meninas.