Animaction | O Caldeirão Mágico

O Caldeirão Mágico (The Black Cauldron, no original) é o vigésimo quinto clássico do catálogo de filmes da Disney Feature Animation Studios, mais conhecido como Os Clássicos Disney, e o sexto filme da “Era Negra” do estúdio, época em que atravessava por uma crise financeira desde o final da década de 1960 e também por conta da morte de Walt Disney. Esta fase termina no final da década de 1980 com o sucesso do clássico A Pequena Sereia, lançado em 1989, e o estúdio deu início então à chamada “Era Renascentista”.

A animação foi baseada vagamente nos dois primeiros livros da série de livros As Aventuras de PrydainO Livro dos Três, de 1964, e O Caldeirão Negro, de 1965, ambos de Lloyd Alexander (falecido em 2007), sendo o segundo um livro premiado na época. A própria Disney tem lá suas razões para esquecer que já fez este filme devido às situações problemáticas enfrentadas durante a fase de pré e de pós-produção tamanho foi o trabalho que o estúdio enfrentou nos bastidores, que terminou resultando no maior fracasso de bilheteria e que quase arruinou a empresa.

Fica evidente, revendo O Caldeirão Mágico para a confecção deste texto, que a animação parece ter, ao mesmo tempo, muita e pouca coisa acontecendo, faltando equilíbrio e cadência na jornada do herói empreendida pelo jovem Taran (Grant Bardsley) que, desejando ser um cavaleiro, parte para salvar a porquinha oracular Hen Wen das garras do terrível Rei de Chifres (John Hurt). O vilão a quer para usar seus poderes com o objetivo de descobrir o paradeiro do tal objeto do título, que lhe daria o poder de criar um exército de mortos-vivos.

Ao longo do caminho, a ele se juntam o bichinho fofinho, peludo e covarde Gurgi (John Byner), a esperta Princesa Eilonwy (Susan Sheridan) e o chatíssimo bardo Fflewddur Fflam (Nigel Hawthorne) em uma aventura que é praticamente uma sucessão episódica de encontros com criaturas e objetos tirados das mais diversas e icônicas obras de fantasia: espada mágica, assistente corcunda, ogros, bárbaros, fadas, bruxas e assim por diante.

Mas O Caldeirão Mágico, mesmo com seus grandes defeitos, está longe de ser a tragédia que sua bilheteria dá a entender que é. Fica evidente a ambição da direção de arte da animação, que não economiza em uma ambientação sombria que exala maldade e perigo, além de emular muito bem o estilo de fantasia medieval que poderia resultar em uma bela obra. É injusto demais afirmar, como muitos afirmam, que O Caldeirão Mágico foi o fundo do poço da Disney. Sim, a empresa quase quebrou com o peso dessa produção e seu inevitável fracasso retumbante, mas a obra tem qualidades e merece uma nova chance, especialmente para quem quiser algo diferente. O filme, infelizmente, foi vítima de sua própria ambição e acabou bem aquém do potencial que mostra ter em suas entrelinhas.