Animaction | O Castelo Animado

Baseado no romance homônimo da escritora britânica Diana Wynne Jones (publicado em 1986), o Studio Ghibli lançou O Castelo Animado como mais uma adaptação feita por Hayao Miyazaki. O longa traz questões muito interessantes durante a narrativa, tem críticas sutis às formas sociais da vida moderna e contemporânea e muita magia e fantasia, é claro. O que parecia ser um singelo conto de fadas com questões mais profundas torna-se um grandioso filme sobre redenção, mistério e formação.

Sophie é uma jovem moça chapeleira sem grandes ambições na vida, que trabalha na loja de sua família durante, ao que parece ser, a era vitoriana na Inglaterra. Certo dia, ao ir visitar sua irmã que trabalha na cidade, é atormentada por dois membros da guarda e é salva por um misterioso rapaz que, em seguida, revela-se um poderoso mago. Por conta disso, uma feiticeira, a Bruxa das Terras Abandonadas, muito invejosa e ambiciosa, resolve jogar uma maldição na pobre jovem e ela acaba ficando com uma aparência de velha.

Contudo, o feitiço impede que Sophie conte de sua maldição para as pessoas e, para não atrapalhar ninguém, ela resolve se isolar nos campos. Por lá, conhece um espantalho que a guia até um misterioso e mágico castelo andante, e dentro dele conhece muito mais sobre o mago Howl e toda a sua magia. No castelo existe um fogo encantado chamado Calcifer, que ao que tudo indica é o responsável pela manutenção do castelo e de fazê-lo se mover. Sophie logo se incomoda com a bagunça do local e resolve limpá-lo.

No castelo a jovem velha conhece Marco, um garoto que ajuda Howl nos afazeres mágicos do local vendendo poções para populações diferentes, e o próprio Howl, a quem se apresenta como uma empregada disposta a dar um jeito em toda a bagunça que todos os moradores daquele lugar fazem. Sophie logo descobre que a porta do local é carregada de mudanças, as cores de um painel que fica acima da porta é que determinam o lugar em que ela vai dar: a cidade litorânea, a cidade da realeza, o campo onde fora encontrada e um local todo preto no qual só Howl pode entrar. Conforme a história avança, percebe-se uma que uma guerra maligna assola os personagens como pano de fundo. Uma vilã, Madame Suliman, quer que Howl seja seu sucessor e os problemas pessoais e mistérios que envolvem Howl e sua família deixam a trama ainda mais complicada.

O longa é incrivelmente bem montado, estruturado em seu roteiro e dirigido de forma encantadora e capaz de deixar o espectador em constante euforia. As aventuras que o castelo traz para a tela são interessantes ao mesmo tempo que comoventes, com um drama gostoso de ser acompanhado. A trilha sonora do incrível Joe Hisaishi também tem um papel fundamental na construção narrativa e ajuda as cenas a serem mais leves e bonitas, diga-se de passagem. Outro ponto muito curioso e interessante é a riqueza de detalhes que a animação leva em consideração na construção de cenários, design de personagens e tudo que esteja visível em tela. A qualidade é impecável (dizer isso do Studio Ghibli é um tanto redundante), mas para este filme tudo parece se encaixar ainda mais perfeitamente. As cores utilizadas são riquíssimas e ajudam muito na elaboração de sentimentos e personalidades dos personagens, mostrando suas evoluções pessoais e amadurecimentos.

Sendo um dos maiores sucessos de Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli, O Castelo Animado é um filme para os apaixonados por fantasia deixarem se guiar pela magia encantadora, pelas belas imagens de paisagens da época que o filme retrata e por personagens-guia que são maravilhosamente bem incrementados à uma trama fácil e única a ser seguida. Merece ser visto e revisto ainda por muito tempo.