Reverie | O resultado morno da combinação entre sonhos e realidade

Reverie, nova série de sci-fi da NBC, tem um plot principal bem interessante para quem gosta de assuntos da mente humana e, claro, aqueles procedurais básicos da vida de qualquer seriador. Mara, personagem de Sarah Shahi, é uma especialista em comportamento humano e uma ex-negociadora do FBI. Quando o programa tecnológico que dá nome à série começa a apresentar problemas, os líderes do mesmo convocam Mara para reverter o problema ou tentar – já que ainda não se sabe o risco de colocar uma consciência dentro da outra.

Mais precisamente, o Reverie é um local de sonhos onde a consciência da pessoa visita os seus melhores momentos de sua vida, porém dando pistas de todo o conjunto de informações passados através de redes sociais e afins. Bem Black Mirror mesmo. E o problema é que muitas pessoas estão deixando o mundo real para ficarem estagnadas no mundo dos seus sonhos, fazendo assim deteriorar os seus corpos em comas provavelmente irreversíveis. É aquele velho ditado do Dumbledore: “Não vale a pena viver sonhando e se esquecer de viver“.

Fica bem claro já no início do episódio que Alexis, a cabeça por trás de todo o programa, está escondendo algo bem sério sobre Reverie. E a coligação dela no final sobre ter perdido o irmão e ter transformado sua consciência no robô central da empresa responsável não foi nada de tão assustador ou interessante. Passou batido como 98% das atuações da série. Já Shahi, em muitas cenas pareceu que estava sendo a Kate Reed (sua personagem em Fairly Legal) e depois perdida em não tentar passar a face de Sameen Shaw (Person of Interest).

É claro que a demanda pela personagem de Mara tem lá suas pinceladas das duas personagens anteriores de Shahi, mas é no finalzinho do piloto que justamente vemos a mesma cena que já tínhamos visto da atriz em The L Word: aquele cabelo e cara amarrada catando garrafas e mais garrafas de bebida pela casa. Parece uma análise bem chata, mas que faz a gente se questionar sobre quem realmente é Mara Kint pela persona de Shahi. E não ficou claro até o final do piloto.

A série tinha que demonstrar todo um novo universo dentro de um episódio de 42 minutos, mas pareceu apenas um capítulo solto dentro da temporada justamente por fazer do primeiro caso da protagonista em Reverie uma chatice completa. Claro que o fator “perdemos alguém que amamos” foi a apelação para o drama, mas, dentro de uma contextualização, o piloto falhou por fazer o espectador ficar se perguntando se este universo criado é tipo Matrix ou A Origem. E por mais pesado que tenha sido o drama pessoal da protagonista, as conspirações por trás de toda a tecnologia que envolve a série deveriam nos deixar interessados, só que não possuem nem um pingo de carisma e tensão tanto na escrita do roteiro quanto na atuação dos atores envolvidos.

De uma maneira geral, este piloto serviu para mostrar que a série existe e está lá (já tem dez episódios confirmados) e tem um plot com potencial sim. Porém, tendo como base este primeiro episódio, será necessário que aconteça algo maior e mais interessante para convencer o espectador a continuar assistindo. Se Reverie vai melhorar ou não, tem nove semanas para nos provar isso e deixar a Sarah Shahi bem na fita de novo. O fato de a série ter tido uma boa audiência em sua estreia e não ter sido um desastre total em avaliações por toda a internet, não são também garantias de manter o público interessado. Sendo assim, é critério de cada um entrar nesta empreitada de “Alice no País das Maravilhas” dos sonhos com Shahi ou não.