Game of Thrones | 7×04 – The Spoils of War

Vocês devem conhecer aquele meme do “se não gostou pelo menos finge”, não é mesmo? Pois bem, eu sei que já tem muita gente por aí dizendo que esse The Spoils of War foi o melhor episódio da história de Game of Thrones e já digo de antemão que se não fosse a espetacular sequência que encerra essa quarta hora, pelo menos para mim ele entraria fácil na lista dos piores momentos do show. Sinto muito, mas não dá para fingir e nem fechar os olhos para um roteiro tão ruim. Não que isso seja novidade no cânone da série, pois várias vezes os roteiristas já mascararam momentos vazios com um encerramento arrebatador, vide o Casamento Vermelho. No entanto, The Spoils of War consegue sair na frente com um disfarce perfeito que toma forma pelas mãos do excelente diretor Matt Shakman.

Eu fico até sem saber o que discutir no quesito desdobramentos relevantes da vez, pois a maioria dos eventos que levaram ao badalado desfecho me deixaram bem envergonhado. Se na semana passada eu elogiei a melhora de Kit Harington e Emilia Clarke em suas respectivas entregas para o encontro de Jon e Daenerys, agora eu só sinto vontade de retirar tudo o que eu disse, pois os dois voltaram com todos os cacoetes ruins de sempre. Não existe absolutamente nenhuma expressão crível naqueles diálogos bregas na mina de vidro de dragão e, para piorar, o “parede ex machina” com a conveniente pintura das crianças da floresta sobre as batalhas na Longa Noite soou ofensivo de tão brega.

Já que Tyrion continua apagado e relegado ao posto de estrategista falho, a única personagem interessante em Pedra do Dragão passa a ser Missandei. Reparem, por exemplo, que as expressões da atriz Nathalie Emmanuel são inversamente proporcionais à ausência das de Emilia Clarke. Logo, fica bem mais fácil se importar e torcer pela intérprete, como também suspeitar do incomum interesse de Davos pela nativa de Naath. Continuo não achando sentido algum nas teorias de que Missandei é a traidora da corte de Daenerys, e se eu tivesse que apostar em alguém seria em Tyrion. O desespero no olhar do anão ao ver Jaime correndo para atacar Daenerys me deixou com uma pulga atrás da orelha.

Por falar na batalha em Jardim de Cima, eu sou só elogios. Acho que eu nunca havia assistido uma sequência de confronto do gênero na qual os dois lados do fronte tivessem tanta importância para mim. A dupla Jaime e Bronn dispensa qualquer comentário quando o quesito posto na mesa é o de simpatia, mas ao mesmo tempo eu me importei muito com Drogon, uma criatura de VFX que não existe! Essa é que é a mágica de Game of Thrones para mim. Shakman conseguiu criar uma sequência tão icônica que até mesmo momentos como a Batalha de Água Negra e a tomada de Durolar pelo Rei da Noite podem passar a ser meros desvios a partir de agora. Eu torci – para os dois lados –, vibrei, me assombrei e vou guardar para sempre no meu coração seriador esse momento histórico da TV contemporânea.

É só um Stark chegar em Winterfell, que os meus olhos marejam. Dos três filhos de Ned que sobreviveram a Westeros, o que eu mais esperei que conseguisse retornar para o seu lar sempre foi Arya. Já elogiei Maisie Williams aqui e volto a fazê-lo, pois se numa ponta da série temos atores tão ruins como aqueles que dão vida à dupla Jon/Daenerys, no outro, e felizmente também na categoria dos mocinhos, existe Williams e sua Arya. Quando uma atriz consegue transmitir sentimentos complexos como a raiva e a saudade apenas com o olhar, ela merece sim todos os elogios possíveis.

A chegada de Arya só não foi perfeita porque mais uma vez Isaac Hempstead Wright atrapalhou o que deveria ser um momento impactante. Me desculpe quem está querendo justificar a ruindade do rapaz como Bran com o fato de que o posto de Corvo de Três Olhos tirou as expressões dele, mas na temporada passada o monstro Max von Sydow conseguiu com o mesmíssimo material criar um personagem enigmático e assustador. Tirando isso, até mesmo o inspirado reencontro de Arya com Brienne conseguiu me emocionar mais do que Daenerys resmungona. Eu me arrepiei de verdade quando notei que Arya estava fazendo os mesmos movimentos do saudoso Syrio Forel, e se for para resgatar uma memória realmente relevante dos primórdios da série, foi essa da Primeira Espada de Bravos que fez valer o nosso investimento e não o plot da adaga, que não poderia soar mais deslocado aqui.

Não acho que esse risquinho possa comprometer uma até então irretocável temporada de Game of Thrones, mas cautela nunca é demais. Vou baixar um pouco minhas expectativas para a segunda metade do sétimo ano e tentar aproveitar sem as influências de besteiras como “MELHOR EPISÓDIO DA SÉRIE”. Isso dá preguiça em qualquer um.

P.S.1: O núcleo de Porto Real acabou mesmo, né? Como falaram ontem, tiveram que escalar o Mycroft do Itaú para não deixar a Rainha Lannister de lado.

P.S.2: Reencontro de Jon e Theon foi um banho de água fria. Nem mesmo um soco rolou! Você já foi mais impulsivo, João das Neves.

P.S.3: Pela fé nos Sete que Jaime escapa dessa!