Game of Thrones | 7×07 – The Dragon and the Wolf

Vocês perceberam que o melhor episódio da metade final deste sétimo ano de Game of Thrones quase não teve Jonerys? Pois é, começo a última review da temporada com esse questionamento para provar um ponto que venho levantando desde o superestimado The Spoils of War: entregar a série apressadamente nas mãos de atores medianos como Kit Harington e Emilia Clarke exatamente quando o show passa por problemas visíveis de roteiro, foi um tiro no pé. Particularmente, eu venho perdendo o encanto pelas figuras de Jon Snow e Daenerys desde a terceira temporada, mas infelizmente o valor pseudo-dramático de plots que antigamente evocariam os momentos catárticos que a série sempre entregou se perdeu na sede de atender aos pedidos mais novelescos dos fãs.

O que me deixa mais triste é que quando os roteiristas não estão perdendo tempo tentando criar uma química que inexiste entre o lobo e o dragão, eles conseguem sim nos fazer lembrar da velha Game of Thrones. Os pequenos reencontros na caminhada para o Fosso dos Dragões e todos os diálogos entre os três Lannisters restantes são os melhores exemplos disso. Pontualmente personagens queridos vão retomando relações e resolvendo antigas rixas em diálogos inspiradíssimos que nos remetem diretamente aos excelentes momentos protagonizados pelos sete guerreiros do esquadrão suicida de Jon Snow no episódio passado. Momentos como esses sempre fizeram a diferença na série, alçando o show ao patamar de obras igualmente importantes da HBO como The Sopranos, e não tentativas de romances bobos e vazios.

Ainda no encontro gigantesco, vale destacar as reações impagáveis de Cersei. Eu só queria dar um abraço – se é que me deixariam fazer isso – na leoa por ter representado muita gente ao não dar a mínima para a chegada de Daenerys. Dany fez essa mesma entrada no mínimo umas três vezes só nesta temporada, ou seja, ninguém aguenta mais. Mas os momentos em que Lena Headey brilhou com sua Cersei não pararam por aí. As dolorosas cenas em que ela confronta seus irmãos com toda a arrogância da rainha que já conhecemos foram sinônimos de Emmy Tape, e é com prazer que eu comprovo mais uma vez quem são os verdadeiros atores na série. Afinal, Peter Dinklage e Nikolaj Coster-Waldau estiveram no mesmo patamar de entrega que Headey estava. Três monstros em cena.

Quando a neve cai em Porto Real no momento em que Jaime deixa a irmã pela última vez, foi que eu consegui sentir o fim de Game of Thrones se aproximando. Toda a sequência acabou sendo o meu segundo momento favorito da finale e nem mesmo o diálogo meloso, mas indiferente, que Jon e Daenerys protagonizam antes disso conseguiu manchá-lo. Eu sempre amei o trabalho de Benioff e D.B. Weiss pela sutileza, não por foreshadowings fajutos que já deixam claro a “vindoura” gravidez de Dany no último ano da série.

Se a partida de Jaime foi minha segunda cena favorita de The Dragon and the Wolf, o posto de primeira logicamente ficaria com o esperado fim de Mindinho. Eu não questiono nunca o trabalho de Aidan Gillen nesses sete anos de série, porém acho que quase todo mundo concorda que Mindinho fez hora extra e passou do ponto de relevância nesta sétima temporada. A figura de um dos maiores jogadores de Westeros transformou a promissora relação entre as irmãs Stark num aborrecido jogo adolescente de dar dó. Juro que não entendi os motivos pelos quais as duas discutiam na ausência dele se, no fim, era tudo um plano. Mas quer saber, o resultado de tudo isso foi tão bom em amarrar a ponta solta mais antiga de toda a série que eu sinceramente relevei. Um fim digno para um dos últimos e maiores vilões vivos no show.

A montagem que encerra a penúltima temporada de Game of Thrones deu presente para os shippers Jonerys (me ponham fora dessa) e pontuou quem é Jon Snow numa aula didática patética dada por Bran. Ainda bem que para tirar o gosto amargo dessas sequências aconteceu o cliffhanger apocalíptico, que teve Viserion zumbi destruindo a Muralha sob o comando do Rei da Noite.

Posso dizer sem medo que essa foi a temporada mais fraca de Game of Thrones, mesmo sendo dona dos mais embasbacantes momentos fantásticos da série. Felizmente, a chama da esperança acendeu em mim nesta finale e acredito que o derradeiro ano tem altíssimas chances de ser o ponto de redenção que fãs como eu tanto anseiam a partir de agora. Serão quase dois anos de espera e eu espero sinceramente que sejamos recompensados. Todos nós merecemos isso. Até lá, meus queridos.

P.S.1: Cersei se assustando com o zumbi foi simplesmente sensacional e surpreendente. Nunca pensei.

P.S.2: Sério que perderemos tempo com resgate de Yara e um Theon que também está fazendo hora extra na série? Mais uma bola fora dos roteiristas.

P.S.3: Euron e o alarde em torno da tal Companhia Dourada me deixa na dúvida, mas teremos a possibilidade de ver Dragões contra elefantes. Já comprei a ideia então.