Jukebox | Demi Lovato – Tell Me You Love Me

Demi Lovato abriu seu coração e se mostrou mais vulnerável do que nunca em seu sexto álbum de estúdio, “Tell Me You Love Me” (“TMYLM“). Ela nos entrega seu projeto mais revelador até o momento, além de ser um dos lançamentos mais esperados do ano. E, honestamente, a espera valeu a pena. Se em seu último álbum, “Confident“, de 2015, a cantora de 25 anos nos decepcionou entregando algo confuso e com vocais em excesso, que alternavam entre baladas vazias e pop barato, finalmente em “TMYLM” ela mudou.

Tendo “Sorry Not Sorry” como carro-chefe do álbum, a antiga estrela da Disney assume uma posição feroz. Demi permaneceu fiel às suas raízes e acrescentou mais maturidade às canções para complementar sua voz maior. O mesmo é mostrado na divertida e apimentada “Sexy Dirty Love“, que seria algo que poderíamos ouvir num álbum de Justin Timberlake, como o “FutureSex/LoveSounds“.

Ela pode ser The Baddest durante boa parte do álbum, mas as canções “Tell Me You Love Me” e “You Don’t Do It For Me Anymore” provam que Demi ainda tem um coração. A canção que dá nome ao álbum apresenta um pedido de carinho, enquanto a última a vê se mudar de uma versão passada de si mesma. “Um amor como o nosso simplesmente não duraria“, ela anuncia audazmente em uma tentativa de encerramento. São canções muito bem trabalhadas vocalmente e com uma produção impecável.

Para mim, as duas canções mais controversas são “Daddy Issues” e “Ruin the Friendship“. Isso porque em ambas Demi tenta ser sexy e provocante, e a primeira não passa de uma brincadeira ao som de um arranjo eletrônico em que ela declara “Você é o homem dos meus sonhos, porque você sabe quando sair“, sobre uma explosão de sintetizadores que compõem um clímax no coro maciço. É uma tentativa de bop que, com certeza, vai agradar grande parte de seus fãs, mas, para mim, soou como uma canção extremamente desleixada e vazia.

Em comparação, “Ruin the Friendship” trata sobre levar uma amizade para o próximo nível, além de ser uma das melhores músicas do álbum. Ela se mostra provocativa cantando coisas como “Seu corpo parece bem esta noite. Estou pensando que devemos cruzar a linha. Vamos arruinar a amizade“. Demi está ficando um pouco impertinente, e isso funciona para ela e para a canção. A entrega vocal aqui é particularmente apaixonante sobre a produção excepcional de Ido Zmishlany, que combina a forma irresistível como ela sussurra súplicas de desejo a esse suposto amigo que muitos dizem ser Nick Jonas, um de seus melhores e mais antigos amigos.

Quando a sedução não é o caminho, “Only Forever” oferece uma visão diferente sobre como lidar com sentimentos não correspondidos. “Eu estive esperando, e eu continuarei esperando, só para sempre“, declara ela com saudade. A produção de Oak Felder (metade do Pop & Oak) é crua e se concentra na entrega vocal de destaque. Assim, permite que ela trabalhe melhor esses sentimentos através desses vocais. Apesar dos sentimentos não retomados, uma sensação de esperança penetra nas promessas melancólicas enquanto a voz dela ecoa para o vazio, o que é algo estranho para uma música deste tipo, mas que ao mesmo tempo faz todo sentido por nos conectar diretamente ao que está sendo cantado.

Outros destaques são “Lonely”, único featuring do álbum, com uma participação bem desnecessária de Lil Wayne e seu auto-tune, e produção excepcional do DJ Mustard; e “Concentrate“, que nos apresenta um dos vocais mais fascinantes da carreira de Demi Lovato.

Com “Tell Me You Love Me“, Demi finalmente atinge a maturidade. Em vez de conseguir um ou dois hits entre um monte de canções vazias e que não compõem um trabalho coeso, ela optou de forma certeira por uma obra redonda e com novos artifícios vocais. As notas altas ainda estão lá, mas sempre justificadas por uma produção excelente e por novas tentativas de trabalhar a voz. Finalmente ela recrutou a equipe certa e encontrou sua voz sobre mid-tempos, baladas e bops frenéticos. Esperemos que ela saiba lidar com essa maturidade e continue nos entregando trabalhos tão coesos quanto este no futuro.

Avaliação do Álbum

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