Arrow | 6×01 – Fallout

Arrow não está nem perto de ser a série mais consistente da CW em termos de qualidade, mas no último ano conseguiu se recuperar bem do desastre que foi a quarta temporada e voltou a criar expectativas nos fãs. Infelizmente essas expectativas duraram bem menos do que o esperado.

Não é a primeira vez que um cliffhanger enorme em Arrow acaba resultando em eventos sem importância nenhuma, mas desta vez os roteiristas exageraram. Claro que ninguém acreditava que todo o elenco regular da série iria morrer de uma vez só, mas após o clímax que foi a season finale da temporada anterior, o mínimo que se esperava era uma quantidade maior de consequências. Ninguém importante morreu e as únicas pessoas que ganharam alguma história a se desenvolver com esses eventos foram a Thea e o Diggle. E, para piorar, nenhuma dessas duas “grandes consequências” têm algo de interessante.

A irmã do Oliver já estava um pouco afastada da série, tendo cada vez menos relevância, e por mais que a personagem tenha potencial, sua falta mal será sentida. Já Diggle parece possuir algum tipo de trauma: se for físico, ou ele se cura logo ou vão enrolar sua recuperação até acontecer alguma cura milagrosa; se o problema for psicológico, ele não faz muito sentido (uma vez que ele era militar e já passou por situações tão ou mais traumáticas) e provavelmente deve apresentar o mesmo tipo de solução do problema físico já citado. Torço para estar errado e ser surpreendido, mas por enquanto o roteiro parece apostar no óbvio, e isso não é uma boa forma de começar a temporada.

Outra coisa muito ruim para se fazer logo de cara, especialmente depois de criar tanta expectativa, é falhar naquilo que deveria ser um dos destaques do programa: as lutas. As coreografias foram horríveis, sem nenhuma intensidade e, por vezes, sem sentido. Se querem deixar claro que a equipe está melhor e, para isso, querem tornar a luta rápida, então que mostrem golpes que de fato seriam capazes de nocautear uma pessoa. Esse problema já apareceu antes, mas o fato de que além de não melhorar ainda ficou mais óbvio, definitivamente é um ponto negativo.

E no meio de tanta coreografia ruim e histórias menos desinteressantes, mal dá tempo de notar os outros personagens. Dinah ganhou um novo uniforme que é muito bonito, mas ela serviu para pouca coisa além de saco de pancada para a Black Siren ao longo do episódio. Curtis e Felicity tiveram pouquíssima relevância e um espaço menor ainda para servirem de alívio cômico. O Rene, por outro lado, volta a ter chances de conseguir a guarda da sua filha, e por mais que eu ache que essa história já foi bem desenvolvida e já deveria ter terminado, pelo menos fica a esperança de um final feliz. Seu novo uniforme é algo que também merece atenção, principalmente porque pode ser problemático: a roupa do vigilante está muito melhor do que antes, ele de fato parece se encaixar no grupo agora, mas ao mesmo tempo ela é uma descaracterização que não tem a cara do personagem. E quem disse isso foi o próprio criador do Wild Dog.

O maior ponto positivo foi, para variar, o cliffhanger. Se a identidade do Arqueiro Verde será definitivamente revelada ou não eu não sei, mas isso é um caminho muito promissor. Arrow começa muito mal sua sexta temporada, especialmente se for comparada com as companheiras Legends of Tomorrow e Supergirl. Depois de cinco anos, a série já não deveria dar tropeços tão grandes em momentos tão importantes, mas a vantagem é que ainda tem muito tempo para se recuperar.