Crítica | Uma Razão Para Recomeçar

Um dos combos mais previsíveis do cinema está de volta com o longa Uma Razão Para Recomeçar, dirigido pelo estreante Drew Waters, que nos entrega o tipo de filme que arranca lágrimas e é bom, beirando para razoável, na medida certa. O longa nos mostra a história dos melhores amigos de infância Benjamin (Jonathan Patrick Moore) e Ava (Erin Bethea), que desde pequenos não se desgrudam e sempre se amaram. Os pombinhos crescem apaixonados e durante a projeção nos faz torcer para que seu amor vença qualquer obstáculo, mesmo que essa premissa já esteja para lá de batida nas telonas.

Apesar de perceber que em alguns pontos do longa tudo fica cansativo por ser bem clichê, a narrativa de Waters é um pouquinho diferente no quesito da tragédia. Quando os namorados são apresentados lá no começo como duas crianças, já se supõe que o drama vai acontecer logo de cara. Mas é aí que tudo se inova, mesmo que a inovação passe longe desta história, e a perda entre o casal se torna muito pior aos olhos da audiência. As tragédias que geralmente ocorrem no início de uma trama dessas só acontecem mais pra frente e o apego pela vida do casal torna-se real até o destino chegar com a má notícia na vida quase perfeita deles, partindo os corações mais fracos.

Surge aqui um prato cheio para os amantes do gênero comemorarem que ele não morreu, uma vez que a narrativa nos faz chorar com as brigas, comover com o esforço do casal durante os tempos de faculdade e os primeiros anos trabalhando para manter uma casa própria, além dos problemas para engravidar. Tudo muito norte-americano, claro, mas todos os longas deste gênero possuem essa pegada e isso não torna alguns menos cativantes. Depois de muitos altos e baixos na vida a dois, Ava e Benjamin são finalmente atingidos por uma doença que poderia ter separado as almas gêmeas, mas só fortaleceu os laços dos mocinhos da trama.

Nada é inesperado e as atuações dos atores principais se perdem um pouco no meio de tanto drama. Talvez por não estarem acostumados, já que Jonathan Patrick Moore veio do mundo dos seriados fantasiosos (Grimm) e Erin Bethea não possui muitos filmes no currículo, mas o romance tem começo, meio e fim, com uma história bem fechada sobre o amor prevalecendo acima de tudo. Não há nada de mal nisso.

Mesmo para os corações mais turrões, vale a pena conferir Uma Razão Para Recomeçar. O roteiro não é o mais genial de todos e já foi visto tantas vezes em diversas ocasiões com abordagens diferentes, mas para quem está procurando fugir dos blockbusters e filmes cults cada vez mais costumeiros, aqui está uma boa pedida. E se você for um romântico incurável, se prepare para usar muitos lenços.