Crítica | Sora no Otoshimono: Tokeijikake no Angeloid

Sora no Otoshimono: Tokeijikake no Angeloid é a continuação de Sora no Otoshimono, anime que teve 25 episódios divididos em duas temporadas – baseado no mangá de mesmo nome – e vale a ida ao cinema se você for fã da obra original e quiser ver o filme na telona.

É importante deixar claro uma coisa: caso o espectador não goste do mangá que foi adaptado neste longa, ou se você nunca leu a obra, este filme não vai agradar de forma alguma. A produção se divide em duas partes: a primeira é uma grande recapitulação de alguns dos principais eventos ocorridos até esse ponto específico da história, enquanto que o resto é a continuidade dessa história. O problema é que essa recapitulação não ajuda a entender o que está acontecendo, caso você nunca tenha tido contato com o material original.

É verdade que isso tudo tem um motivo, mas para quem nunca leu o mangá, o começo do filme parece uma grande colagem de cenas sem sentido na qual fica completamente impossível entender o que está acontecendo. E o resultado disso é que quando chegamos ao segundo ato, fica difícil se interessar por tudo o que está acontecendo ou pelos personagens envolvidos porque tudo pareceu raso e sem sentido nenhum.

Mas para quem gosta da obra original, a situação é completamente diferente. E é aqui que o filme merece um pouco de crédito. A recapitulação na verdade teve um propósito muito interessante: apresentar e dar mais destaque para Hiyori Kazane, que é a personagem principal do longa ao lado de Sakurai Tomoki. Devido a isso, a personagem teve um tempo de tela relativamente grande e acabou sendo mais bem explorada no longa do que no próprio mangá. Infelizmente alguns de seus diálogos foram péssimos e se resumiram à personagem ficando envergonhada ou repetindo o nome de Tomoki e mais nada, mas isso é melhor do que a alternativa, e graças a esse destaque acaba fincando mais fácil de o público se interessar por ela e de ficar triste com os eventos pelos quais a personagem tem que passar.

Outro fator que deve agradar aos fãs é o fato de que a comédia característica da obra original foi muito bem representada aqui. Pode não gerar risadas em algumas das tentativas, mas o senso de humor baseado nas cenas ecchi e na versão “miniatura” do Tomoki foram bem marcantes. Aqueles que gostam disso, com certeza irão se divertir no cinema. Um ponto interessante, falando sobre características da obra original, é que o ecchi em si não foi tão forte quanto de costume. Vão aparecer calcinhas e closes nos seios das personagens, mas a impressão que fica é que esse elemento perdeu um pouco de espaço.

Se menos ecchi é bom ou ruim, depende de opinião pessoal. Mas levando em conta a obra toda, esse acabou sendo um fator positivo. Depois de gastar uma boa parte do seu tempo fazendo uma recapitulação não sobrou muito para o resto, então o que pareceu aqui é que a ideia foi dedicar mais tempo para a história a que estava sendo narrada em detrimento do fan service. Isso fica bem claro quando as duas partes do filme são comparadas: a segunda tem um tom dramático muito mais forte, com mais ênfase nas personagens e nos acontecimentos. Graças a isso o filme consegue entreter, mesmo tendo pouco tempo para desenvolver bastante coisa e apresentando um ritmo acelerado.

Nos aspectos técnicos, o longa não decepciona. Tendo sido produzido em 2011, o filme apresenta uma qualidade visual grande, mesmo nas cenas de combate. De forma alguma é um marco na história da animação ou se mostra como uma grande inovação, mas é muito consistente e não apresenta falhas. A qualidade do som também é boa e a dublagem original japonesa é, como na maioria das vezes, impecável. O único problema são as legendas: a quantidade de erros de digitação e mesmo de português passam a impressão de que elas foram feitas por algum fansub que está em seu primeiro trabalho e não conseguiu ninguém que pudesse fazer a revisão. Felizmente ou infelizmente os erros são tantos que em determinado momento o público se acostuma.

Sora no Otoshimono: Tokeijikake no Angeloid é um bom filme (apenas) para os fãs do mangá. Mesmo apresentando mudanças, funciona como uma boa adaptação e se mantém fiel àquilo que a obra original representa. Poderia ter uma duração maior – especialmente para explicar bem os eventos envolvendo a batalha final – ou talvez menos tempo de recapitulação, mas o resultado final acaba sendo positivo.