Crítica | O Rei do Show

Senhoras e senhores! Meninos e meninas! Venha um, venham todos fazer uma viagem no tempo através da história e legado de P. T. Barnum e a criação do show business como conhecemos atualmente no novo filme estrelado por Hugh Jackman, O Rei do Show.

O longa acompanha os principais destaques da história de Barnum, desde sua infância até sua ascensão na indústria do entretenimento. A projeção faz um passeio através do complicado início do showman, como ele conheceu Charity, sua esposa, e como sua dedicação extrema pelo trabalho o ruiu de forma que nem ele mais sabia pelo que estava lutando. Dali em diante, O Rei do Show traz, através de inúmeras e marcantes canções, todo o desenvolvimento dos negócios de Barnum, incluindo a controversa revelação da cantora Jenny Lind (Rebecca Ferguson).

Contando com quase duas horas de duração, o filme passa de forma fluida, objetiva e leve, com os fatos sendo apresentados com clareza e de maneira envolvente. E sendo um musical, é claro que o principal destaque narrativo iria para a trilha sonora. As músicas do filme são um show à parte, tanto melódica, quanto liricamente. Por vezes, musicais acabam não sendo tão bem recebidos pelo público por conta do deslocamento que a trilha tem diante da narrativa. Mas em O Rei do Show elas se encaixam perfeitamente, sendo capazes de cativar o espectador e fazê-lo vibrar e se emocionar do começo ao fim.

A fotografia e montagem do longa também são dignas de reconhecimento. Em uma das performances de Michelle Williams, quando sua personagem flutua através das cortinas em uma dança com Hugh Jackman e, logo em seguida, ele desaparece, não foi nada menos do que poesia pura. Sem contar, claro, com as inúmeras cenas circenses que saltam aos olhos do espectador com suas cores e luzes, nas quais cada troca de plano deixa o público com vontade de participar da dança e com direito a bis.

O elenco, como não poderia deixar de ser, também faz seu trabalho com excelência. A começar por Zendaya, que demorou a ter seus talentos valorizados pela indústria e vem mostrando, cada vez mais, o seu lugar no meio. Zac Efron também fez jus ao seu papel de Phillip Carlyle, conduzindo-o magnificamente ao longo da projeção. E com o auxílio da equipe de caracterização, os freaks – ou aberrações – também foram muito bem aproveitados pela trama. O show é todo deles, e não há como negar isso.

Mas é claro que devemos citar um nome em especial: Hugh Jackman. A dedicação com que Jackman se entrega ao papel do showman é visível e espetacular de se acompanhar. Seja nas canções, nas danças ou em ambos, o ator nos mostra sua versatilidade. Principalmente se considerarmos que no mesmo ano ele fez o público ir às lágrimas com sua despedida da franquia X-Men em Logan, e agora novamente com sua atuação magnífica de P. T. Barnum em O Rei do Show.

E como resultado, O Rei do Show contagia a audiência com suas performances e sua narrativa bem desenvolvida, transformando a sala de cinema em um grande picadeiro através de um espetáculo digno de aplausos e ovações.