Crítica | Operação Red Sparrow

A parceria entre o diretor Francis Lawrence e a atriz Jennifer Lawrence (não, eles não são parentes) começou no longínquo ano de 2012 durante as filmagens de Em Chamas, segundo longa da franquia Jogos Vorazes, e prosseguiu nos dois filmes seguintes da saga literária protagonizada por Katniss Everdeen. Agora em 2018, a dupla Lawrence/Lawrence retoma a dobradinha para levar às telonas o thriller de espionagem Operação Red Sparrow.

No longa, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) é uma jovem russa que tem uma mãe doente, ao mesmo tempo que possui um promissora carreira como prima bailarina do famoso balé Bolshoi. Após uma tragédia, ela vê seu sonho destruído. Sem condições de manter os cuidados médicos da mãe, ela recebe uma proposta de seu tio Vanya (Matthias Schoenaerts), um alto figurão da Inteligência no governo, para que se torne uma espiã do estado russo. Durante a sua primeira missão, Dominika testemunha um assassinato e tem que escolher entre morrer ou se tornar uma sparrow (agentes que utilizam sua beleza e técnicas de sedução para atingir os objetivos).

Após o treinamento, Dominika é colocada em sua primeira missão: fazer o agente da CIA Nate Nash (Joel Edgerton, tão carismático quanto uma planta) revelar o nome de seu informante, que trabalha dentro da Inteligência Russa e tem vazado informações importantes para os americanos. A partir deste encontro os dois passam a desenvolver um jogo de gato e rato, esperando o exato momento no qual um deles falhe em sua missão.

O roteiro de Operação Red Sparrow foi escrito por Justin Haythe e consegue estabelecer bem a sua protagonista, bem como suas reais motivações: manter sua mãe (Joely Richardson) segura e tentar escapar desta nova “vida” em que foi colocada contra sua vontade, porém peca em outros aspectos para manter a trama fluída. Jennifer Lawrence mostra, mais uma vez, o motivo pelo qual é uma das melhores atrizes de sua geração. Entrega uma performance forte e magnética, conseguindo construir com segurança as diversas nuances da personagem. O que fica um pouco a desejar é o sotaque russo, que por vezes é forte demais e em outras oportunidades some por completo.

O diretor Francis Lawrence, apesar de sua pouca experiência no cinema (é um renomado e conhecido diretor de videoclipes), consegue criar uma boa atmosfera para o longa e manda bem, em especial, nas cenas mais violentas e nas com algum teor sexual, aproveitando para mostrar que a sensualidade em questão não é uma coisa puramente limpa e bonita, é utilizada como forma de obter algum poder ou vantagem sobre o outro.

A química entre Lawrence (a Jennifer, é claro!) e Edgerton não funciona e fica muito difícil comprar o envolvimento (ainda que possivelmente calculado) dos dois personagens. Outro problema do longa é seu ritmo modorrento, que faz seus longos 139 minutos parecerem uma eternidade e que, talvez, funcionasse melhor se disponibilizassem uma fatia maior do filme para mostrar o treinamento dos sparrows e menor para o plot completamente sem sentido envolvendo a chefe de gabinete de um senador norte-americano (Mary-Louise Parker). E ainda, quem sabe, até desenvolver um pouco mais os personagens de Charlotte Rampling e Jeremy Irons, que nada mais são além de meros ponteiros de luxo.

Apesar dos problemas, Operação Red Sparrow tem no carisma de sua protagonista a maior arma para entreter o público e conseguir arrecadar uns bons milhões durante sua estadia nos cinemas.