Crítica | Em Busca de Fellini

A estreia do diretor Taron Lexton com o filme sobre o cineasta italiano Federico Fellini é controversa e não deu tão certo como um longa sobre esse assunto pode dar. A narrativa, que tenta homenagear a grandiosidade das obras de Fellini, conta a história de Lucy (Ksenia Solo), aquela típica filha que sofre com os medos da mãe. Ela acaba sendo sufocada e tem o mundo privado até seus 20 anos de idade, que é quando chega o grande dia para a jovem adulta. Assim, ela vai embora de casa e descobre de cara a magia do cinema italiano que só Federico proporciona.

Mesmo longe de casa e das asas de sua mãe Claire (Maria Bello), a garota não se desprende das fantasias que lhe eram contadas e acaba tão apaixonada por Fellini e sua obra que vai até a Itália querendo obviamente conhecer seu muso. Até aqui a obra segue mediana e a atriz que mais acompanhamos em tela também não é tão agradável assim – ela é conhecida apenas por suas séries do canal Syfy e por ser a eterna sidekick das mocinhas. Ksenia Solo talvez não tenha sido a melhor escolha para este papel, porém não é só ela que torna o longa inexpressivo, mas sim o conjunto da obra, com frases clichês e narrativa que beira o superficial.

É difícil se empolgar com o que a personagem vai mostrando (as descobertas que lhes são privadas, a beleza da Itália…) porque tudo é embolado em uma montagem clichê de imagens que não deixam entender o motivo pelo qual o longa está aqui e foi feito. Diretores estreantes costumam errar em alguns pontos, já que ninguém é perfeito, mas Em Busca de Fellini é um filme que pode passar despercebido, principalmente para os grandes fãs do diretor de sucessos memoráveis como A Doce Vida e Abismo de um Sonho.

O único ponto favorável do longa é, talvez, o tom inspirador que ele carrega durante sua uma hora e meia, quando vemos a mocinha vencer sua timidez e conhecer seu maior ídolo, que lhe mostra as coisas boas da Itália. Porém, o espectador que esteja cansado deste tipo de história pode facilmente ter problemas com a trama e com o roteiro. Uma curiosidade é a presença de atores que trabalharam com Fellini em seus filmes, tornando o uso da metalinguagem levemente interessante.

Em Busca de Fellini é mais um longa descartável do cinema indie lúdico de 2017. Além disso, o roteiro peca muito com insinuações machistas sobre o despertar feminino para a vida e não consegue em momento algum se aprofundar no universo italiano criado pelo diretor que tanto mexeu com o cinema em sua época. A homenagem é irrelevante, assim como as atuações e a fotografia amarelada.