Crítica | Com Amor, Van Gogh

Com um roteiro construído ao redor da morte do famoso pintor Vincent Van Gogh, pai da arte pós-moderna, Com Amor, Van Gogh não é nada mais do que intrigante e honroso. Um ano após o suposto suicídio do artista, um de seus amigos mais próximos, Joseph Roulin, pede que seu filho Armand entregue a última carta de Vincent ao seu irmão Theo. E após descobrir que Theo também faleceu, Armand tenta entender como era a vida e como foi a morte do pintor que cativou tantos ao seu redor.

A animação começa com uma informação básica: é realizada por mais de 100 artistas visuais. Informação esta que nos leva a agradecer todos os cuidados técnicos com o que se vê em tela, até mesmo os flashbacks que são retratos em preto e branco intrigam como cada detalhe foi cuidadosamente posto ali em tela. E a missão não só de realizar um filme desta vastidão, mas também como contar uma história fascinante sobre um grande homem, é entregue de forma brilhante por Dorota Kobiela e Hugh Welchman, responsáveis pelo roteiro e direção do filme.

A aventura de Armand nos leva a conhecer ainda mais como viveu Vincent. Sua frustração para agradar aos pais desde criança, até o dia que ele pegou no pincel pela primeira vez, passando pelo seu fascínio pelas flores e como ele era tímido com as mulheres. Roulin termina intrigado com o fato de que o pintor se deprimiu de uma forma repentina e começa a investigar a motivação por trás do tiro que acarretou em sua morte, de maneira a entender melhor o que as pessoas pensavam dele, como elas lidavam com o fato dele ser um gênio e o que cada um pensa que aconteceu para a vida de um homem tão feliz terminar. E claro, o roteiro nos faz suspeitar de todos os personagens que conviviam com Van Gogh, tal como Roulin – que acaba deixando seu ciúme para com o amigo do pai de lado e passa a entender melhor o homem por trás da fama.

Além de um bom roteiro, a obra ainda conta com uma trilha linda que nos ajuda a imergir no universo animado e pintado a ponto de, em certos momentos, esquecermos que se trata de uma animação de fato. O realismo posto em tela nos desenhos é enorme e bem feito, e outro destaque são as passagens de cenas que acompanham bem tanto a luz necessária quanto o movimento das expressões nos rostos dos personagens.

Com Amor, Van Gogh é uma animação linda, bem realizada e muito bem escrita. Apesar de parecer uma história vã para muitos que ainda não sabem do que se trata, o roteiro agrada. A forma como os escritores colocaram tudo em tela não é menos do que brilhante. Vale muito a pena ver e rever, nem que seja para prestar atenção em como as pinceladas dos artistas por trás da obra foram postas ali ou até mesmo os riscos em forma de lápis e o brilho no olhar de nosso protagonista investigativo.