Jessica Jones | Busca pelo passado é destaque na segunda temporada da série

Jessica Jones voltou após um bom tempo. E entre matar o Kilgrave e se juntar aos Defensores da Marvel, Jessica continua bebendo nos bares mais próximos, transando com quem quer sem ligar para muita coisa e fingindo estar de saco cheio de Malcolm e Trish. Fora isso, temos um plot interessante para a segunda temporada, afinal nossa detetive ainda precisa pagar as contas entre um cliente chato e outro. Claramente o rumo deste ano é saber mais sobre o passado da “heroína” que conquistou tanta gente na temporada anterior.

Quem traz o assunto à tona é Trish, que ainda está estagnada no processo de aceitação da sua melhor amiga fazer parte de algo maior e ela não. Mesmo tentando sair da mesmice de seu mundo, a jornalista ainda se perde entre vícios numa jornada chata de vingança sobre os responsáveis pelos poderes de Jones. E, sinceramente, o desenvolvimento dela aqui só serviu para demonstrar que qualquer pessoa está suscetível ao fracasso da autodestruição. No mais, passemos a Malcolm (o oficialmente aprendiz de detetive agora), que também continua na busca por um propósito e a ajudar Jones a se aceitar mais, outra falha que, assim como Walker, faz ambos os personagens se perderem no caminho e demonstra quem realmente precisa deixar o passado para trás e quem não.

Pois é, de tanto julgar Jessica por alcoolismo, surtos de violência e promiscuidade, são os outros que têm problemas com o fato da nossa protagonista não ser tão comportada assim. Em contraponto, é Jones que acaba encontrando um rumo para a temporada ao buscar descobrir finalmente o que aconteceu consigo durante os 20 dias após o acidente que matou sua família e lhe deu os poderes que possui. Claro que só depois deste plot principal engatar é que as coisas ficam mais interessantes, pelo menos para quem gosta de desvendar um bom mistério. Jessica sai chutando bundas até desenterrar os segredos pessoais de seu passado, e isso nos faz gostar mais dela do que dos outros ao seu redor – incluindo seu novo interesse amoroso da temporada.

Uma das grandes decepções da temporada foi a Jeri, que depois de se sobressair em séries como Demolidor e Punho de Ferro, caiu na mesma que todos os outros na vida de Jones. É quando vemos o problema do roteiro em geral da temporada, que mais parece uma introdução àquele universo e seus personagens do que uma continuação de algo muito bom que já vimos anteriormente. Problemas à parte, temos que nos comportar um pouco como a personagem de Krysten Ritter para focarmos no que realmente importa: como Jessica Jones adquiriu seus poderes. E isso, meus queridos, toma dimensões bem interessantes durante uma cena ou outra de Trish viciada e Jeri posuda de advogada poderosa.

O passado de Jones é intrigante e, após abrir esta caixa de Pandora, passamos a ver tudo de um ponto melhor. Pena que demora muitos episódios para isso acontecer e uma leva de cenas desnecessárias também. O desenvolver final acaba nos deixando um pouco mais orgulhosos de ter sentado no bar com a Jessica para beber como mais uma heroína linda para termos por perto, mas também passamos a vê-la de pontos de vista completamente diferentes. Jones finalmente mostra que desenvolveu-se como personagem, sua busca pessoal aqui passa por todas as atribulações das quais já sabemos que ela possui em vida.

No fim de tudo, é como se a nossa adolescente rebelde da temporada anterior tivesse se tornado a pessoa mais responsável na qual podemos confiar um segredo ou até mesmo as nossas vidas. Completando assim o ciclo de amadurecimento, ainda é incerto o futuro da série até aqui. Contudo, a segunda temporada de Jessica Jones só vale a pena por conta disso e nem todas as tentativas de dramatização dentro do roteiro conseguiram nos tocar a ponto de entendermos os dramas alheios. O que pode parecer egocentrismo de uma perspectiva de fã, mas o fator chatice ganhou também a protagonista e vemos isso quando é ela quem passa a dar as lições de moral nos outros. Parabéns, Jess, você continua linda. Já os seus amigos, nem tanto…

P.S.1: O fator de abrir a mente num novo mundo onde pessoas têm poderes ainda está sendo batido mil vezes pelas séries da Marvel… Mas, gente, estamos num ano de Guerra Infinita, então vamos aceitar melhor o assunto e parar de ficar insistindo como se fosse um ponto para interligar as coisas neste Universo?

P.S.2: Ao mesmo tempo que não dá para suportar ver os caminhos tomados pela Trish, dá para sentir um carinho massa vindo da Alisa (Janet McTeer). Quando em um momento temos o abusivo Kilgrave, em outro temos exatamente o que Jones precisa atualmente: sua resposta maior. O contraste notável entre as duas temporadas é enorme e, talvez, agora sim possamos ver a Jessica abraçar quem realmente é. Sem dramas, só com aceitação.