Supergirl | 3×17 – Trinity

Supergirl estava com um longo histórico de bons episódios nesta temporada e parece que com Trinity a ideia era continuar nesta onda positiva. E conseguiram, isso é inegável, mas desta vez existiram problemas. Faltou consistência e sobraram soluções fáceis, e mesmo que muito do que foi visto tenha sido bom, nem tudo se salva.

Começando por aquilo que deu certo e fez deste um bom episódio: a Sam. A personagem vem tendo bastante destaque recentemente e mais uma vez isso gerou um bom resultado. Todas as cenas que se passavam naquela “dimensão alternativa” onde ela e Julia estavam presas foram muito boas. As interações entre as personagens e delas com aquele ambiente hostil foram bem interessantes, especialmente os momentos nos quais vemos os efeitos de se passar muito tempo. Elas estavam perdendo a sanidade rapidamente e isso foi muito bem representado. Até mesmo a chegada de Supergirl, Alex e Lena ali, por mais incrivelmente fácil que isso tenha sido, foi boa na maior parte do tempo.

Os momentos nessa dimensão sombria ocuparam uma boa parte do episódio e isso é muito bom quando levamos em conta o fato de que eles foram a melhor coisa do episódio. Por outro lado, uma grande decepção foi a cena de luta contra as worldkillers. Foi a primeira vez em que de fato as três lutaram juntas contra os heróis, esse momento deveria ter sido incrível, mas infelizmente não foi bem assim. O maior de todos os problemas foi a facilidade com a qual duas das grandes inimigas da temporada morreram. Purity e Pestilence estavam destinadas a serem coadjuvantes da Reign, todo mundo sabia disso, mas foi gasto tanto tempo procurando as duas e tantos episódios lidando com suas aparições que fazer com que morressem da forma como aconteceu deixa uma sensação de que o público só perdeu tempo assistindo a história delas. Foi interessante mostrarem Julia lutando contra Purity e sendo uma heroína? Sim, com certeza, mas não foi o bastante para compensar a forma como se livraram da personagem.

Outra questão foi a troca de uniforme da Alex. Ela ganhou um uniforme melhor, com uma arma mais potente? Que ótimo, mas fazer os heróis esperarem uns minutos para ir salvar o mundo porque ela precisava se trocar foi uma péssima ideia. É verdade que aquela cena foi feita para ser alivio cômico, mas ela foi inserida no momento errado e acabou ficando ridícula. Outra personagem que não é ajudada pelo roteiro é a Imra. Afinal, quais são os poderes dela na série? Até agora ela mostrou poderes telecinéticos em níveis variados, desde jogar cadeiras nas pessoas até criar campos de força usando seu poder. As vezes ela parece muito poderosa, as vezes fraca, não tem como saber o que ela realmente faz. E como se isso não bastasse, na hora de lutar contra alguém com a mesma força física da Supergirl ela resolve partir para um confronto físico. Ela tem superforça também? Pior que isso só o fato de que ela comemorou a morte da Pestilence, mas esqueceu do fato de que a Reign, aparentemente, absorveu o poder de suas ex-companheiras.

Mas, querendo ou não, a luta foi uma cena só e, além disso, o episódio apresentou um problema ainda maior: pela primeira vez em muito tempo a forma como a personagem principal foi escrita não fez sentido nenhum. A reação dela ao fato de que a Lena usou kryptonita foi completamente sem sentido. Tudo o que a Lena já fez na série foi muito mais do que o suficiente para ganhar a confiança de todos, especialmente dela, então por que o fato de que ela fez o que podia para salvar uma amiga pareceu tão ofensivo para a Kara? Ficar com raiva da sua melhor amiga e mandar alguém invadir o cofre dela não combina em nada com a forma de agir da Supergirl, e ver esse deslize do roteiro foi bem desagradável.

Trinity explorou muito bem o subconsciente da principal vilã da temporada, mas falhou na representação da personagem que dá nome à série. Com uma “grande batalha” terminando de modo anticlimático e com alguns problemas no roteiro, este foi um episódio complicado. Nos seus melhores momentos foi ótimo, o que faz com que, no geral, tenha sido um bom capítulo, mas quando errou acabou errando feio.