Supergirl | 3×19 – The Fanatical

A força por trás de Supergirl é e sempre foi seus personagens. A série cresceu e superou expectativas devido à sua capacidade de gerar personagens interessantes e de explorá-los da melhor forma possível. The Fanatical ignora o fato de que a temporada está próxima de acabar e esquece um pouco do enredo principal para investir justamente neste ponto forte da série, e o resultado acabou agradando bastante.

Recentemente as ações da Garota de Aço têm saído um pouco do normal e ela vem sendo representada de uma forma não muito boa. Assim, finalmente resolveram gastar um pouco de tempo para resolver este problema. Kara está questionando sua forma de agir e tentando consertar os problemas causados pela forma como ela tratou a Lena, mas talvez seja tarde demais para isso. Se ela vai conseguir salvar sua amizade com a irmã de Lex ainda levaremos um tempo para saber, o que importa é que os diálogos entre as duas foram muito bons neste episódio e parece que este problema está de fato gerando um crescimento positivo na personagem principal.

Mas entre todos os personagens que foram bem escritos neste episódio, e todos serão discutidos mais adiante, existe um que precisa de atenção: Jimmy Olsen. Se alguém perguntar, eu sou o primeiro a achar que ele deveria sair da série. Desde a primeira temporada ele só serve para gerar cenas desnecessárias que envolvem dramas forçados e romances desinteressantes. Mas, e esse é um grande mas, em The Fanatical ele teve um momento de relevância importante dentro e fora da série, além de realizar a façanha (para ele) extremamente rara de ter um diálogo bom.

A conversa dele com a Lena contando sobre o preconceito que ele sofreu no passado está dois anos atrasada. Esse é o tipo de assunto que precisa ser citado mais cedo e ganhar mais atenção por dois motivos bem distintos: a violência policial contra a população negra é algo que precisa ser mais discutido por todos os meios de comunicação devido à sua importância; e porque é esse tipo de coisa que torna o personagem mais profundo. O Jimmy é tão desinteressante porque ele nunca foi escrito com diálogos que se afastem do óbvio e do clichê. Fica a torcida para que daqui pra frente continuem representando o personagem tão bem assim.

E já que estamos falando de antigos interesses amorosos da Supergirl, agora é a vez de Mon-El. Ele parece que finalmente aceitou o fato de que seus sentimentos pela Kara ainda existem e está lidando com isso. É uma situação complicada, já que tecnicamente ele ainda é casado, então existe uma divisão bem clara entre o que ele quer e o que é certo. São raras as vezes em que esses romances vai e vem são interessantes, mas a relação entre esses dois é uma que está tendo um desenvolvimento bom e que conseguiu gerar curiosidade sobre qual vai ser a conclusão.

Saindo um pouco da parte “super” da série, ainda existem várias coisas acontecendo. M’yrnn está cada vez pior, Ruby está tendo (já esperadas) dificuldades para aceitar que sua mãe é uma alienígena que tentou matá-la e a Alex está tendo algo que ela queria muito: uma experiência como mãe. A cena entre Ruby e M’yrnn foi um bom momento do episódio, fazer com que esses dois personagens tão diferentes se encontrassem e se ajudassem foi uma boa ideia dos roteiristas. Além disso, ver a Alex tentado de tudo para ser uma boa figura materna para a Ruby também é muito legal, já que esse é um desejo que ela já deixou bem claro. E, honestamente, ela com certeza fará um bom trabalho quando este momento chegar.

No que se refere aos personagens, The Fanatical mostrou eventos bons e inesperados, explorando novos aspectos de vários personagens e deixando alguns com uma profundidade maior. Além disso, ainda investiu um bom tempo desenvolvendo a personagem principal, o que ficou de lado em alguns momentos da temporada devido ao grande foco na vilã. É estranho que o enredo principal tenha tão pouca importância quando estamos tão perto do final da temporada, mas depois de ver como tudo se desenrolou a impressão que fica é a de que era disso que a série precisava.