Crítica | Hotel Artemis

O ano é 2028 quando, embalados pela clássica canção “California Dreamin’“, somos apresentados à trama do novo longa de Drew Pearce, que acompanha a história de uma senhora enfermeira performada pela ganhadora do Oscar Jodie Foster e seu peculiar Hotel Artemis.

Na caótica Los Angeles do futuro idealizada por Pearce, a população está em rebelião em virtude ao corte geral de água na cidade. E é em meio a isso que a enfermeira Jean Thomas vive tranquila e reclusa em seu hotel, que cheio de regras, tecnologia avançada e proteção, restringe-se a atender como um hospital secreto apenas para membros cadastrados. E criminosos.

Mas esse cenário de calmaria no Artemis muda drasticamente na noite em que a rebelião se aproxima do hotel. A chegada de dois irmãos feridos em uma tentativa de assalto – o que seria apenas mais um dia normal para Jean – é apenas o começo dessa mudança. E ao ver uma antiga conhecida pedindo socorro na porta do hotel ao mesmo tempo em que o maior criminoso da cidade está para fazer check-in de urgência para ser atendido, a enfermeira se vê em uma situação que a deixaria prestes a mudar o rumo de sua história para sempre.

E em meio a isso tudo, é claro que hospedar bandidos no hotel em algum momento traria resultados complicados. Afinal, ainda que vulneráveis, estamos falando de pessoas de índole duvidosa. Então já podemos prever que tantas regras não serão um impedimento para coisas ruins acontecerem por lá.

O elenco estelar de Hotel Artemis, com nomes como Sterling K. Brown (This Is Us), Jeff Goldblum (Jurassic Park), Dave Bautista (Guardiões da Galáxia) e Sofia Boutella (Kingsman: Serviço Secreto), além de Foster, certamente põe um peso à trama de Pearce. Por outro lado, o roteiro não nos permite conhecê-los mais profundamente, o que gera uma certa dificuldade no afeiçoamento do público. A única que consegue ter um maior aproveitamento é a protagonista, que mesmo em meio a diversos contextos paralelos, garante algumas informações extras para sua audiência. E, honestamente, no fundo, é o que realmente importa.

E com seu roteiro simples e um tanto previsível, Pearce não enrola o público até chegar onde quer. Os acontecimentos se dão rápido o suficiente para que os espectadores possam captá-los e seguir logo para os momentos seguintes.

Com isso, o longa acaba não dando muito palco para as tramas paralelas, embora não seja algo que o impeça de deixar algumas pontas soltas das mesmas. Talvez com a intenção de deixá-las como iscas para ver se o público acataria uma sequência, ou simplesmente como uma consequência de uma pós-produção corrida e não muito eficaz. De qualquer forma, os gaps deixados na narrativa não impedem a compreensão da história ao final da projeção.

Por fim, é preciso destacar que embora o filme possua algumas falhas como um todo, a direção de arte do longa, por sua vez, tem seu valor. A mistura entre o vintage e o futurístico lhe cai como uma luva, e é algo agradável de se ver. E mesmo que seu enredo não surpreenda ou inove, o longa é apenas um cumprimento daquilo que prometeu, sem se estender muito. E pensando desta forma, é melhor assim.

Trata-se apenas de uma história de uma enfermeira e seu hospital para criminosos, nada mais. Não há por que exigir algo além disso, porque Hotel Artemis jamais prometeu ir a fundo nas outras questões que não lhe dizem respeito diretamente. Além disso, no geral, a trama entretém, prende o espectador e é agradável de se acompanhar. De fato, não se trata de uma obra de arte, mas engana-se quem o caracteriza como uma decepção total.