Crítica | A Primeira Noite de Crime

Quando chegou aos cinemas mundiais pela primeira vez em meados de 2013 sob a direção de James DeMonaco, Uma Noite de Crime conquistou grandes números de bilheteria com sua premissa ousada. Na trama, somos levados aos Estados Unidos de alguns anos a frente, ainda mais desenvolvido do que hoje em dia, com baixíssimas taxas de violência e desemprego, e tudo isso devido ao grande protagonista da franquia: o dia do expurgo. Nele, durante 12 horas, todo crime é permitido e serviços emergenciais são suspensos como uma forma da população manifestar, de uma única vez, toda a sua ira a fim de “expurgá-la”.

A franquia sempre chega carregada de críticas sociais e gera grandes expectativas em seu público. Contudo, a partir do terceiro filme, vemos uma queda na qualidade das produções, o que se repete no prequel intitulado A Primeira Noite de Crime. A diferença é que no longa de 2018, além das 12 horas de crimes, nós também acompanhamos o início da tradição e toda a sua criação até chegarmos à noite de expurgo já conhecida pelo público e apresentada nos longas anteriores.

Como se trata do primeiro filme da franquia, se seguirmos a ordem cronológica, pode-se dizer que DeMonaco tinha todas as cartas na manga para realizar a produção. Isso porque ele teria a oportunidade de aproveitar a premissa de seus antecessores ao passo que ainda teria grande liberdade criativa para expandir o universo e explorar novos casos. Mas é acompanhando A Primeira Noite de Crime que percebemos que o fato de já termos “spoilers” dos resultados do experimento passou de carta na manga a tiro no pé.

Isso porque a narrativa apresentada não sai da zona de conforto das histórias anteriores. O que vemos sobre a criação do experimento e a curadoria para as inscrições dos participantes do expurgo é mostrado muito superficialmente, o que acaba pendendo para uma nova situação na qual há mais do mesmo. Além disso, as resoluções simples também prejudicam o roteiro, que cai bem para as questões sociais, mas escorrega na reviravolta previsível e, de certa forma, incoerente.

Ainda que a estrutura do roteiro não tenha muitos atrativos, a fotografia do longa, por sua vez, é bem trabalhada, com direito até a um plano-sequência em uma cena com lutas bem coreografadas. As atuações não contam com grandes destaques, mas certamente uma das personagens mais atrativas da trama é Dolores. O papel vivido por Mugga é divertido, pena que perde tempo de tela para outras tramas e personagens não tão interessantes da narrativa.

Infelizmente, A Primeira Noite de Crime não é uma redenção para a franquia, que já vem derrapando há alguns títulos. Embora tenha críticas sociais pesadas e relevantes de considerarmos dados os contextos sociais tanto nos EUA – onde a trama se passa – quanto no Brasil, a construção da narrativa poderia ter sido melhor aproveitada. Com isso, o resultado é um filme sem grandes novidades ou inovações envolvendo o universo de Uma Noite de Crime, mesmo com todas as chances a seu favor.