Jukebox | O retorno de Kesha com “Rainbow”

Kesha sempre esteve presente nas playlists de todo mundo desde 2010, muito antes do Spotify. O clipe de “Tik Tok” rendeu bastante na televisão e era também o começo do YouTube, então a jovem cantora não deixou de ficar de fora das paradas e seu pop era bem gostoso de ouvir, daqueles que algumas pessoas sentem falta hoje em dia, da farofa. As letras também divertiam a gente e dava para sentir como se nós, tal qual a cantora encenava em seus clipes, também tivéssemos passado três dias seguidos na balada.

Mas após lançar dois álbuns ótimos (e um terceiro que é considerado como EP), ela sumiu. Todos nós sentimos a falta dela, mas infelizmente quando voltou a aparecer na mídia, não foi com outro álbum de balada gostoso para ouvir. Foi para declarar que estava passando por maus bocados nas mãos do seu produtor, Dr. Luke, e ficamos sabendo de toda a história – aquela que todas as mulheres passam pelo menos uma vez quando alguém duvida que são profissionais e seres humanos. Algum tempo depois das denúncias de Kesha, ela continuou trabalhando com o Dr. Luke.

Nós não sabemos o que vai acontecer na luta de Kesha com o produtor, mas pelos menos sabemos que seu espírito está melhor e ela se encontra em uma nova posição empoderada. A cantora contou tudo isso para nós através do seu novo álbum, intitulado “Rainbow“, que veio muito diferente dos dois primeiros. Esqueça as letras apenas para se divertir e sair por aí enchendo a cara. Kesha tem algo para nos contar.

Kesha bebeu da fonte de Carly Rae Jepsen e, durante as 14 faixas do novo disco, paramos e prestamos atenção em tudo. Talvez por ter simpatizado com a história da cantora, talvez por ser fã, talvez porque o álbum seja bom mesmo, seja pop.

Quando Kesha começa a cantar em “Praying” (Well, you almost had me fooled/Told me that I was nothing without you/Oh, but after everything you’ve done/I can thank you for how strong I have become), nós já entendemos que ela não está aqui para brincar, apesar de outras faixas serem mais divertidas. E como já foi mencionado aqui, a garota realmente foi muito machucada pelo antigo produtor e manda logo a real na letra, cantando que ficou muito mais forte após as barras da vida. E ainda bem!

Embora o destaque do álbum seja a música “Praying“, em “Bastards“, canção que abre o disco, Kesha também está toda trabalhada nas indiretas e no violão. Taylor Swift fazendo escola, né? Os acordes do violão da cantora acompanham a letra “Been underestimated my entire life/I know people gonna talk shit, and darling, that’s fine/But they won’t break my spirit, I won’t let ‘em win” e fica bem claro que Sebert não está para brincadeiras nesta nova era.

Ainda falando sobre as músicas do álbum que mostram como Kesha está empoderada e se livrou de um relacionamento abusivo, ela canta na faixa título do disco, “Rainbow“, que nossas cicatrizes são marcas de quem somos e que ela ainda precisa resolver algumas coisas, mas que todos nós acharemos nossas cores e nosso arco-íris. E não é brega, porque os arranjos da canção deixam você se levar. E arrisco dizer que te aquecem por dentro.

Entre as 14 faixas é difícil dizer se existe alguma fraca, mas como a montagem do disco foi esperta, as músicas mais esquecíveis ficaram no final (“Godzilla” e “Spaceship”). Então dá para consumir todas as canções sem pular alguma, até chegarmos no dueto de Kesha com Dolly Parton, também ótimo, mas aí depende mais do gosto de cada um. Meu destaque fica para “Woman“, que prega a independência feminina de Kesha e lembra os discos antigos (Don’t buy me a drink, I make my money/Don’t touch my weave, don’t call me ‘honey’“), mas sem fazer a gente esquecer da evolução da cantora.

Boogie Feet” também foi outro jeito que Kesha escolheu de cantar sobre dançar até o chão para que as baladas lembrem que ela voltou. “Let ‘Em Talk” parece uma música que tocaria no final de um filme americano besteirol sobre colégio e, junto de “Rainbow” e “Woman“, se torna uma das minhas favoritas de um álbum que te diverte e te deixa alerta ao mesmo tempo.

A verdade é que a cantora conseguiu entregar um álbum que provavelmente quis fazer há muito tempo. E “Rainbow” chegou na época que talvez mais precisemos ouvir uma música igual “Praying” ou “Woman“. E eu imagino que para Kesha foi mais libertador ainda fazer este disco.

Espero que você tenha gostado do álbum! Aproveite e comente o que achou dele e quais são as suas faixas favoritas!