How to Get Away with Murder | 4×01 – I’m Going Away

A Fall Season chegou trazendo de volta os universos de ShondaLand para as noites de quinta-feira, dentre eles a série que já foi mais amada pelo público, How to Get Away with Murder, com sua quarta temporada. Seu ano anterior dividiu as opiniões dos espectadores por diversos motivos: plots mal resolvidos, a morte desnecessária e uma bola de neve cada vez maior fizeram o público questionar se a série teria mesmo conteúdo para seguir por muito mais tempo sem perder sua essência. E ainda que tenha mantido um pouco da sua receita inicial, a perda da intensidade e do ritmo dos acontecimentos deixaram a história mais lenta.

Mas a nova fase da série não demanda uma aquietação nos ânimos dos personagens à toa. Laurel está grávida, os casais estão passando pela fase de concretização do relacionamento e Annalise está carregando o peso da dedicação à sua mãe, diagnosticada com demência na temporada anterior. Tudo isso ainda unido ao luto e às incertezas geradas pela morte de Wes. O núcleo está sofrendo as consequências de suas escolhas e atitudes tomadas até agora, e a season premiere deixou claro que a série desacelerou seu ritmo para focar nelas.

Ao contrário dos anos anteriores, quando a ação e os conflitos internos dos Keating Five (agora Keating Four) eram os pontos principais da trama, a quarta temporada deu a entender que resolveu dar um descanso ao grupo. Pelo menos por enquanto. A acusação contra Annalise por causa da morte de Wes foi retirada e agora sua clínica jurídica está sob avaliação se pode ou não voltar a funcionar. Com tantas coisas acontecendo agora, Keating sabe o que precisa fazer, já que logo nos primeiros momentos do episódio vemos a professora mandar uma mensagem aos seus alunos convocando-os para uma reunião. E é a partir deste suspense que a história do primeiro episódio se molda.

Ao longo do capítulo, acompanhamos o momento em que cada um dos alunos recebe a mensagem, intercalados com flashbacks de uma viagem de Annalise à casa de seus pais e histórias paralelas, dentre elas a de Laurel, que foi a única que ainda não conseguiu se restabelecer dos acontecimentos da temporada anterior. Com a revelação de que ela não abortará o bebê, é possível que a personagem de Karla Souza tenha uma carta na manga. Afinal, ela sabe – ou desconfia – que seu pai está envolvido na morte de Wes e, por isso, decide não contar a ele sobre sua gravidez. A grande questão é saber por quanto tempo ela conseguirá manter isso em sigilo, uma vez que o Mr. Castillo tem se mostrado cada vez mais presente na vida dela – principalmente pelo que deu a entender durante o flashforward ao final do episódio.

Enquanto isso, de volta à Annalise, somos reapresentados aos conflitos familiares da personagem introduzidos durante a segunda metade da terceira temporada. Ophelia, mãe da professora, foi diagnosticada com demência e seu caso tem se agravado cada vez mais. Além disso, a relação ruim com o pai faz com que Annalise hesite em deixá-lo tomar conta de sua mãe sozinho. A grande quantidade de tempo de cena do plot investida neste episódio foi importante para entendermos o apelo pelo resgate da humanidade da personagem ao colocá-la novamente em seu posto de Anna Mae. Agora, ela precisará lidar com as difíceis decisões e as incertezas relacionadas aos cuidados com sua mãe, além, claro, de começar a perceber que embora ela já tenha perdido muitas coisas ao longo da série, seu principal porto seguro também não estará presente por muito mais tempo.

Essa ambientação permanece durante boa parte do episódio, tendo como ponto alto o momento em que Ophelia tem um evento de crise e a acorda no meio da noite pedindo socorro, pois acredita que a casa esteja em chamas e conversa com Annalise sobre sua sanidade. Os momentos foram importantes, dada à situação em que as personagens se encontravam e, principalmente, por conta de Cicely Tyson, que colocou em sua personagem uma vulnerabilidade emocionante, passando isso de forma magnífica à Viola Davis, que correspondeu muito bem ao drama da cena. Contudo, talvez esse plot tivesse uma melhor recepção se estivesse no segundo episódio da temporada, e não em uma season premiere.

Isso porque os fãs estão acostumados com os grandes plots mostrados nas estreias das temporadas da série, além dos característicos flashbacks em tons esverdeados dos momentos em que os conflitos ocorriam, o que aumentava a carga emocional do que estava acontecendo. No entanto, embora tenha sido um bom começo para situar o espectador da posição em que a série se encontra, por enquanto não foi o suficiente para prendê-lo às expectativas do que ainda está por vir. Com a “grande” revelação do motivo da reunião – a demissão dos estudantes e uma revolta coletiva para cima de Annalise -, pudemos notar que, por mais que ela tente, as atitudes da professora nunca serão suficientes para o grupo, mesmo quando ela dá exatamente o que eles querem.

A parte mais intrigante, porém, foi a demissão de Bonnie, maior aliada de Keating, e sua ida a uma entrevista de emprego com Denver, promotor causador da discórdia na temporada anterior. Não sabemos até que ponto essa jogada é uma estratégia de conseguir virar o jogo de vez contra ele ou se a lealdade de Bonnie é controversa e ela está realmente disposta a se virar contra Annalise e desestabilizar ainda mais o grupo. Honestamente, se a segunda opção for adotada, certamente será interessante ver as duas ex-aliadas frente a frente no tribunal, principalmente se Frank tiver que escolher um lado para apoiar, já que ele e Bonnie são próximos, mas o advogado ainda tenta ganhar o perdão genuíno de Annalise. Por outro lado, seria um tanto ingênuo acreditar que Denver aceitaria a maior defensora de Keating no tribunal durante as investigações como sua parceira de trabalho atual.

Com um começo morno e lento, resta aos fãs esperar para ver se o novo ano de How to Get Away with Murder trará de volta os intensos suspenses de seus conflitos no estilo de suas primeiras temporadas, ou se a terceira já foi um prenúncio de que a partir de agora não há muito o que esperar e I’m Going Away não foi apenas um recado da mãe de Annalise para a filha, mas sim um recado também dos fãs que estão determinados a abandonar a série caso seu ritmo continue a desacelerar.