Entre Irmãs | Diretor e elenco falam sobre o filme em coletiva realizada em São Paulo

O longa nacional Entre Irmãs estreia dia 12 de outubro nos cinemas, e o diretor Breno Silveira (2 Filhos de Francisco), a roteirista Patricia Andrade, as atrizes Marjorie Estiano, Nanda Costa e Letícia Colin, juntamente dos atores Rômulo Estrela e Julio Machado, estiveram presentes nesta segunda-feira (2) numa coletiva de imprensa realizada em São Paulo. Frances de Pontes, autora do livro A Costureira e o Cangaceiro, no qual o filme é baseado, também participou do encontro. Confira como foi o bate-papo.

O diretor Breno Silveira, emocionado, começou a coletiva comentando a respeito da pesquisa que fez sobre Maria Bonita e disse que não dava para montar um filme através da história da cangaceira, pois o número de contos sobre ela é quase nulo. Segundo ele, a salvação foi ter descoberto o livro de Frances de Pontes e, então, percebeu que o material era um presente. Já a escritora da obra literária, por sua vez, ressaltou o quanto o livro que inspira o filme foi importante para ela. “Foram seis anos de pesquisa e mais três escrevendo, além de uma pesquisa grandiosa pelo sertão do Nordeste brasileiro, onde ouvi muitas histórias para captar toda aquela sensibilidade“, disse.

A trilha sonora de Entre Irmãs, que não é cantada, também foi elogiada durante a coletiva. Breno Silveira, questionado sobre essa peculiaridade, disse que é um grande fã dos clássicos e que cinema e música andam juntos. Para ele, “o cinema está entrando em um caminho mais seco e sem emoções“, mas deixou claro que não tem medo de causar emoção e de se emocionar contando uma história. “O cinema é uma arte completa por causa disso, é tão bonito você misturar tudo“, acrescentou o diretor.

Além do roteiro e da trilha sonora, a fotografia do longa também ganhou elogios de todos presentes na coletiva. Breno, que começou sua carreira nesta área, disse que passou três meses pesquisando lugares para filmar porque queria dar uma imagem maravilhosa ao romance, já que ele acredita que o cinema mundial também está falhando em relação à fotografia.

Sobre as atuações, Nanda Costa e Marjorie Estiano falaram da sorte que tiveram em ser parceiras de cena. Nanda, que interpreta Luzia, a irmã “marrenta”, disse que o sertão foi um grande personagem do longa também. E o elenco todo concordou dizendo que o calor deixava tudo mais denso no filme. Já Marjorie, que interpreta Emília, a irmã mais “sonhadora”, acredita que o tempo de filmagem fortaleceu a entrega das atrizes e ajudou na conexão entre ambas. As duas também concordam que o roteiro bem desenhado e a direção ajudaram em tudo. “Para mim, a maneira como os personagens foram desenvolvidos é pura poesia. É tudo muito sensível, de forma muito condessada“, elogiou Marjorie.

Ainda falando das irmãs, Nanda e Marjorie foram questionadas sobre o que torna as personagens tão fortes e inspiradoras mesmo sendo tão diferentes. A intérprete de Luzia explicou que sua personagem amava tanto a família que fez coisas impressionantes, além de ser muito destemida e forte: “Foi incrível. Ela [a personagem] exigiu de mim uma força que eu descobri junto com ela“, disse Nanda. E Marjorie classificou Emília como uma pessoa que absorveu o que ela vive ao seu redor e que seu tipo de coragem também é essencial na vida de uma mulher: “É essa coisa da inteligência emocional que ela tem que está diretamente ligado com a integridade. Os sentidos dela são muito aflorados“, destacou a atriz.

Já Letícia Colin e Rômulo Estrela, que interpretam personagens pontuais e eternos, como disse Colin, também falaram sobre suas participações no longa. Letícia disse que “é assustador interpretar um personagem LGBT nos anos 1930 e ver que ainda hoje existe violência com essas pessoas“, mas que acredita no amor. Ela acrescentou ainda que sua personagem tem um coração livre e à frente de seu tempo. Rômulo, por sua vez, disse que tanto o filme quanto seu personagem são femininos e que ele só quer encontrar o amor. “O filme é necessário, a gente está discutindo hoje, em 2017, a mesmas questões. Na verdade, retrocedemos um pouco. Então sou extremamente grato por este longa e a forma que ele é“, completou o ator.

No final do bate-papo, a roteirista Patricia Andrade disse que ao ler o livro e captar a essência dele, foi se apaixonando pela história e trazendo elementos para questões atuais e femininas. Patricia citou Maria Bonita novamente ao dizer que realmente não existe muito material sobre ela, mas que conseguiu descobrir alguns importantes para passar essa força feminina ao longa. E para encerrar o encontro, o diretor Breno Silveira disse estar animado com Entre Irmãs e que espera que o filme sensibilize a todos com suas histórias atuais e personagens distintos.

Imagens: Divulgação/Sinny Assessoria