Crítica | Demi Lovato: Simply Complicated

Demi Lovato sempre esteve sob o crítico olhar da mídia. E desde então carrega consigo o peso da pressão de ser um modelo para aqueles que a acompanham. A maior consequência sofrida pela atriz e cantora de 25 anos foi um breakdown, aos 18 anos de idade, ao agredir uma de suas bailarinas durante a turnê de “Camp Rock 2“. O episódio estampou manchetes ao redor do mundo e, certamente, foi o marco de uma ruptura para o início de uma nova fase da estrela.

Em Simply Complicated, acompanhamos essa história através de relatos de amigos, familiares e pessoas próximas à Demi que foram essenciais para ajudá-la em sua recuperação. O documentário segue uma linha do tempo consistente, abordando detalhes desde a infância da cantora até os dias de hoje, intercalados com trechos da produção de seu mais recente álbum, intitulado “Tell Me You Love Me“.

Logo no início de Simply Complicated, a cantora confessa que se sente um pouco insegura em se expor em uma entrevista tão longa quanto esta, visto que da última vez em que ela fez algo parecido, ainda estava usando drogas. E gravando o “Stay Strong“, o primeiro registro de celebração de sua sobriedade produzido pela MTV em 2012. Naquela época, Lovato estava celebrando sua saída da reabilitação e o início de uma nova era. E por ter acompanhado toda a trajetória da cantora nessa fase, a informação chega como um soco no estômago.

Mas engana-se quem pensa que o documentário retrataria apenas o breakdown. Ele abrange diferentes períodos da vida da artista, contemplando relacionamentos, seus Lovatics, sua família e sua trajetória profissional. Sem dúvida, um dos momentos mais marcantes do filme é quando ela se abre sobre o fim de seu relacionamento com Wilmer Valderrama. O brilho no olhar de Demi ao falar sobre ele é ao mesmo tempo doce e melancólico, e Simply Complicated consegue captar ambos os lados de forma absolutamente singela.

E assim segue ao longo do documentário, que mostra detalhes já conhecidos pelos fãs e pelo público em geral, sem deixar de compartilhar momentos ainda inéditos para a audiência de forma simples e honesta. O filme toca em feridas já cicatrizadas pela artista, mas também fala sobre algumas que permanecem abertas. A ex-estrela do Disney Channel sempre sofreu com transtorno alimentar e bulimia, e no filme ela conta que este ainda é um demônio que ela ainda precisa enfrentar diariamente.

O documentário também tira o peso do passado de Demi com assuntos mais leves, a acompanhando durante a produção do álbum “Tell Me You Love Me“, incluindo a escolha do primeiro single, o hit “Sorry Not Sorry” e as Pool Parties pelos EUA. O longa ainda encontra espaço para apresentar um lado mais ousado de Lovato, pouco explorado quando ela ainda era uma estrela teen e precisava seguir códigos de conduta. Na parte sobre os relacionamentos, a cantora fala abertamente sobre sua sexualidade e mostra que ser uma artista de sucesso não a impede de ter “contatinhos” como qualquer pessoa normal do jeito mais “Demi” possível.

Simply Complicated promete cativar não somente o fiel público de Demi Lovato, mas também novos espectadores que tenham curiosidade sobre sua vida. O documentário funciona quase como um livro aberto com suas próprias regras e restrições, mas nem por isso deixa de ser cativante. Acompanhar o relato honesto da menina que cantava músicas sobre não conseguir acreditar em si mesma e ter mais autoconfiança, e que hoje é referência de autoestima e recuperação para públicos de diversas idades, é emocionante. Mais emocionante ainda é ter feito parte disso e aprendido que, por mais complicado que seja, não precisamos ser fortes o tempo todo e que nossos erros e imperfeições não definem quem realmente somos lá no fundo. Obrigada, Demi.