Jane the Virgin | 4×03 – Chapter Sixty-Seven

Criar uma criança não é nada fácil, principalmente para Jane Gloriana Villanueva. Jane, que sempre foi uma seguidora de regras, tem seus próprios métodos e artifícios na criação de Mateo, principalmente no que diz respeito aos seus relacionamentos amorosos. Ainda mais se considerarmos a péssima experiência que teve, ainda criança, quando sua mãe levou um namorado para casa e não contou a ela. O trauma revelado logo nos primeiros minutos do Chapter Sixty-Seven se reflete até os dias de hoje, inclusive em sua relação com Adam.

Preciso dizer o quão adorável está este arco de Jane e o quadrinista. Adam está nitidamente se esforçando para tentar levar a relação com a protagonista a novos níveis, e a maneira com que isso está sendo elaborado me faz gostar ainda mais do personagem – mesmo concordando com Rogelio que é difícil fazer o público se afeiçoar a um personagem visto apenas em três episódios. Por outro lado, não precisamos de muitos episódios para perdermos a afeição por outros personagens. E Rafael é um claro exemplo disso.

Sempre gostei de Raf, mas vê-lo decair desta forma é frustrante. Ele julga tanto a Petra, mas acaba fazendo as mesmas coisas que ela. E acredito que essa relação dele com Katherine só vá reforçar esse lado negativo do personagem, infelizmente, já que ela por si só já não é muita flor que se cheire. Sem falar da relação dele com Jane, que tem sido cada vez mais distante. Os roteiristas poderiam arrumar um jeito de colocá-los outra vez na relação saudável entre amigos que eles estavam na temporada anterior.

De volta ao Adam, devo destacar que a relação dele com super-heróis caiu como uma luva para a trama, ainda mais agora que Matelio está crescendo e este se torna um elo entre os dois. E ver Rafael finalmente dar o braço a torcer e sugerir que Adam fique de babá de Mateo trouxe memórias de Michael, já que o falecido policial também passou por uma situação parecida em um determinado momento da trama.

E se as coisas não estão fáceis para Rafael e Adam, imagina para Rogelio, que agora precisa lidar com o fato de Darci estar envolvida com seu inimigo mortal, Esteban. A volta do personagem – e das intrigas – foi um tiro certeiro do roteiro. A cena dele vestido como um espermatozoide em um chroma key e os inúmeros “treinamentos” para o parto humanizado de Darci foram alguns dos pontos altos do grande retorno do rival de Rogelio, e renderam boas risadas.

Surpreendentemente, o núcleo de Rogelio e Xiomara trouxe mais uma vez um amadurecimento do casal à tona e colocando, de brinde, uma discussão sobre feminismo no que diz respeito à escolha de Darci de ter o bebê em casa. A abordagem vem de maneira objetiva e natural e resulta no nascimento da outra filha do nosso astro das telenovelas. Mas ainda espero, de coração, que a filha de Darci e Ro atenda pela alcunha de “Darcelia” por motivos óbvios.

O que mais gostei deste arco no episódio foi o princípio de trégua entre Ro e Esteban. Por mais que as brigas e futilidades nos sets das novelas sejam divertidas de se acompanhar, parece que a separação entre a rivalidade profissional e contexto familiar começou a ser desenhada em prol do bem-estar do bebê, sobretudo quando Rogelio abstém de sua vaidade e entra na banheira para ajudar Darci durante o parto. Parece que o trio renderá muitos outros bons momentos ao longo desta temporada, e já estou na expectativa para tal.

E dando continuidade ao mistério lançado no episódio anterior, o capítulo sessenta e sete retoma o assunto, desta vez liberando uma singela dica do que poderia causar a grande morte anunciada para esta temporada. Rose já pondo as mangas de fora para arriscar o que for necessário para sair da cadeia. E agora que as negociações de venda do Marbella estão cada vez mais lentas e cheias de reviravoltas, a vilã arrumou sua própria solução: causar um incêndio no hotel e usar o dinheiro do seguro para sair da cadeia.

Por mais que tudo indique que já temos a causa e a possível vítima fatal desse jogo de detetive, não dá para confiar no que Jane the Virgin nos entrega. Ainda estamos no começo e muitas coisas podem se desenrolar a partir do que temos até agora. E como a série nunca foi de dar todos os detalhes de uma vez ao seu público, torço para que desta vez não seja diferente.

No panorama geral, o que eu mais tenho gostado de acompanhar em Jane, de longe, é o desenvolvimento de Xo e Ro. Os dois souberam crescer sem perder a essência cômica e atrapalhada que sempre lhes foi característica. No que diz respeito à Jane e Adam, está acontecendo justamente o contrário. Mesmo que ainda precise assumir as responsabilidades da maternidade, Jane agora se permite correr riscos, se divertir e pensar mais em si mesma. E isso acaba servindo como um merecido resgate da juventude da personagem. Mas com tantas outras coisas acontecendo agora, vamos ver por quanto tempo que essa alegria toda irá durar.

P.S.: Também é necessário destacar a fofura que foi o pequeno Matelio chamando Adam para conversar no balanço da varanda. Além de ter sido uma ótima referência para a narrativa da série, a cena foi muito fofa. Espero ver mais momentos assim outras vezes em episódios futuros.