Crítica | Perfeita é a Mãe! 2

Ser mãe é uma tarefa complicada. E ela se torna ainda mais difícil em épocas festivas de fim de ano. Arrumar a casa para o Natal, comprar presentes, fazer comida, receber a família que mora em outra cidade… São tantas obrigações que deixam qualquer um de cabelo em pé! E com Amy (Mila Kunis), Kiki (Kristen Bell) e Carla (Kathryn Hahn) não foi diferente. Ainda mais agora com a visita conturbada de suas respectivas mães.

Estamos a poucos dias do Natal e o filme começa com Amy sentada na escada lamentando por ter arruinado a festa da família. O porquê vem em seguida, com os momentos que antecederam o ocorrido sendo apresentados ao longo da trama. Cansadas das demandas exaustivas da época e de suas mães um tanto quanto invasivas, as três decidem partir em busca da liberdade natalina – e tudo se torna uma insanidade só.

A sequência de Perfeita é a Mãe! é carregada de estereótipos e situações que beiram o inverossímil. Muito do que é abordado no longa é uma grande viagem com destino a lugar nenhum. E ainda que a projeção peque no humor, prometendo arrancar poucas risadas de sua audiência, Kathryn Hahn é um de seus principais destaques. Sua personagem conta com cenas divertidíssimas. E ainda que, por vezes, fujam um pouco da realidade, as falas e sacadas de Carla são ótimas de se acompanhar.

Christine Baranski também se destaca. A veterana incorpora muito bem o papel da dondoca e mãe de família que lhe foi dado, o que em alguns momentos nos lembra de sua participação em The Big Bang Theory como a mãe de Leonard. Cheryl Hines e Susan Sarandon também embarcam inteiramente na trama, apresentando uma química em cena que merece ser reaproveitada. Outro ponto da projeção que também será capaz de ganhar o público é sua trilha sonora. Indo de Kelly Clarkson a Mötley Crüe, Perfeita é a Mãe! 2 ganha o público com sua ótima escolha de repertório.

Ainda que escorregue nos clichês e exageros, o filme é mais um daqueles besteirois para se assistir sem muitas pretensões. Nesse contexto, também devemos destacar a dublagem apresentada durante a exibição prévia do longa para a imprensa. A versão com o áudio em português soube, de um modo geral, adaptar seus diálogos para a língua. Mas certas linhas dos personagens poderiam ter tido traduções menos forçadas.

A trama também nos indica que poderemos ter uma nova continuação da premissa sendo executada, desta vez com as mães de nossas protagonistas. Como dito acima, a química do trio em cena é nítida. E a julgar pela prévia que nos foi dada neste segundo filme, ainda que se repita a fórmula, a ideia tem todos os requisitos para funcionar.

O humor pesado e explícito de Perfeita é a Mãe! 2 sustentam, com certo esforço, o ritmo da narrativa. A resolução da trama é fácil e sem surpresas, mas bem executada – o que tem sido pouco visto em produções recentes do gênero. Certamente não é um filme que agradará a todos os públicos, mas em diversos momentos a projeção mostra que, pelo menos, tentou.