Animaction | Dashavatar

Toda era tem um herói. Esse é o subtítulo da animação épica indiana que, além de tudo, também é um musical. É sim uma história sobre a religião hindu e suas figuras mais ilustres, contada até de maneira bem didática, mas não é por isso que deixa de ser muito interessante e divertida. Também no ocidente há vários filmes narrando a vida de muitas figuras religiosas, porém apenas este o faz de maneira a igualar os ídolos a super-heróis, o que com certeza chama a atenção das crianças e torna essas histórias, por vezes maçantes, muito mais agradáveis de se ver e ouvir.

É possível que você fique um pouco confuso vendo esse filme se não tiver nenhum conhecimento prévio da religião hindu, mesmo assim, se prestar bem atenção, conseguirá acompanhar, afinal o objetivo é mesmo explicar para as pessoas uma parte importante dessa religião que é tão rica de histórias e divindades. O que é aconselhável saber antes de ver a animação é que, não coincidentemente, assim como no cristianismo, o hinduísmo também possui uma trindade sagrada, formada por Brahma, Shiva e Vishnu. Desses três, o com certeza mais popular é Vishnu, pois ele é o que encarna na Terra através dos mais diversos tipos de corpos (chamados avatares) para restaurar o equilíbrio perdido. Dentre esses avatares, os mais famosos são Rama, Krishna e Buda.

O título do filme, Dashavatar, é a palavra hindu para designar os dez avatares de Vishnu. Segundo os escritos, nove avatares já passaram pela Terra, faltando então o décimo, chamado Kalki – o espadachim montado num cavalo. Desta forma, o longa vai narrar a história do todos esses dez avatares, cuja aparência varia de animal para humano, e como eles ajudaram a população em época de guerra e crise. É claramente um longa voltado para o público infantil, uma vez que tem como personagens dois irmãos que são transportados para o “céu” pelo sábio Narad e, com ele, assistem todas as sagas vividas por Vishnu. Não podemos deixar de pensar que também é um filme interessante para aqueles que querem aprender mais sobre o hinduísmo e até mesmo sobre a cultura indiana, uma vez que a maneira como a história é contada é característica e bem distinta da que estamos acostumados.

Vale ressaltar ainda a presença dos demônios na história, afinal os avatares de Vishnu estavam em constante embate com os mesmos. Apesar disso, o que salta aos olhos e pode vir a incomodar é que, ao longo do filme, muitos demônios ou até mesmo humanos de má índole pagam penitência – como passar anos meditando em uma montanha – em troca de um poder capaz de destruir Vishnu ou para conquistar terras e Brahma – o deus a quem as graças pedidas, sempre concedia. O que dá a entender é que o importante para ele era a penitência em si e não o caráter de quem estava pedindo. Obviamente que muitos desses relatos podem ter sido invetados, mas mesmo que sejam apenas metáforas nos fazem pensar nas desigualdades de que nosso mundo está cheio. Até porque, voltando para o filme, se Brahma não tivesse concedido as graças àqueles demônios, muitas batalhas teriam sido evitadas e Vishnu também não teria encarnado na Terra.

Por fim, se você achava que corrupção e recalque era artigo exclusivo dos deuses gregos, se enganou, pois no hinduísmo há também alguns deuses bem invejosos. Um dos grandes exemplos que o filme ilustra é o do deus das tempestades, Indra. Quando Krishna está na Terra se torna muito popular e o fiéis deixam de adorar Indra. Por conta disso, ele decide castigar os humanos, mas claro que é impedido por Krishna, que sinceramente era mesmo bem mais legal, bonito e atraente. É assim pelo menos que a animação coloca as coisas e realmente é uma maneira diferenciada de narrar a história da sua religião com grandes batalhas, músicas e incríveis heróis.