Rise | É essa a nova “Glee”?

É inevitável que quando temos uma nova série musical não a comparemos com Glee. Claro que a série que estreou em meados de 2009 não inventou o gênero musical, mas é algo que ainda é fresco na cabeça de todos, mesmo que tenha terminado há três anos. E é difícil alguém não se lembrar desta, que marcou a vida de muitas pessoas. É evidente que sempre procuramos algo para comparar, como a nova Glee em questão, a nova Game of Thrones ou a nova Lost, mas sempre tem algo diferente a ser marcado pela série estreante.

Rise conta a história do professor de inglês Lou Mazzuchelli (Josh Radnor), que assume o departamento de teatro da escola e quer mudar o conceito de musicais que até antes era instaurado. Com isso, ele irá afetar a vida dos adolescentes que participam desse grupo e essa mudança chegará também a toda comunidade que mora na região. Diferente da série musical citada anteriormente, só pela fotografia, caracterização dos personagens e todo o jeito que as músicas são inseridas durante o episódio, já percebe-se como tudo terá uma carga mais dramática e mais impactante. Além de entreter, ela quer ensinar, motivar e te fazer arrepiar de um jeito diferente. Rise é muito mais focada e mais “pé no chão” do que muitos musicais. Nada de uma virada de trama sem noção ou até personagens muito além do esperado. É algo mais natural e que podemos nos relacionar.

Por mais centrada que seja e sem algo “mágico” que geralmente muitos musicais têm – e que te levam além da imaginação -, Rise mostra ao público como é possível sonhar na vida real. É muito mais uma série com músicas do que uma série musical. Durante o episódio piloto, dá para notar que não veremos cenas em que DO NADA alguém começa a cantar, pois essa não parece ser a proposta da produção. Cada personagem é bem definido e mostra o motivo de ser como é quando nos aprofundamos um pouco mais na vida de cada um. Porém, apesar disso, três deles são extremamente clichês e nos remetem imediatamente à personagens que já vimos na telinha ou na telona.

Lou, o professor de inglês, é praticamente o Will Schuester (Glee). O cara que não estava 100% feliz com a sua vida e encontra no musical algo além para viver. Robbie Thorne (Damon J. Gillespie) tem exatamente a mesma estrutura de Finn Hudson (Glee) e Troy Bolton (High School Musical): o atleta que é descoberto por um professor e vai cantar em seu grupo. Claro que as raízes do personagem são um pouco diferentes dos dois supracitados, porém a estrutura é basicamente a mesma. E para fechar mais o clichê, ele é o protagonista. Já Simon (Ted Sutherland) é a versão religiosa de Kurt Hummel (Glee). É o cara que vai se descobrir gay, ou assumir, por conta do novo grupo do qual faz parte, pois irá sair de sua zona de conforto e finalmente confrontar seus pais. Mais uma vez com o clichê, ele é o melhor amigo da protagonista.

O restante dos personagens difere um pouco do que vimos, mas até que eles seguem os mesmos moldes de alguns já feitos. Lilette Suarez (Auli’i Cravalho) tem sua vida um pouco diferente do esperado e sua entrada no grupo é espontânea. Além disso, a atriz é extremamente carismática e nos faz querer assistir, nem que seja só por ela. Michael Hallowell (Ellie Desautels), por ser um homem trans, à primeira vista parece ser um personagem muito interessante de se acompanhar. Existem outros que, de algum modo, podem trazer tramas realmente boas para a série. A melhor característica deste elenco é a diversidade entre os atores, ninguém é igual. É todo mundo diferente um do outro, seja fisicamente ou em suas personalidades. E isso é extremamente positivo.

E o mais importante: as músicas apresentadas neste primeiro episódio foram todas ótimas. Por mais que não parecesse, algumas delas quando cantadas, mesmo que fossem só para o próprio musical que estão produzindo, agregavam diretamente na trama, e isso só enriquece ainda mais a série.

Rise, no geral, fez um bom primeiro episódio, nada além do esperado. Apresentou bem seus personagens, introduziu bem sua história e faz o espectador ter vontade de continuar, seja pelas músicas, pelas tramas dos personagens ou mesmo só por querer passar quarenta minutos assistindo algo que é pelo menos bom de acompanhar.